Liberais russos protestam contra Putin antes das eleições

Liberais russos acusaram o presidenteVladimir Putin de abuso de poder e disseram que as autoridadesestavam intimidando os adversários pouco antes das eleiçõespara o Parlamento no domingo, que podem fortalecer o poder dopresidente. Putin é o líder entre os candidatos da Rússia Unida naseleições. Seu partido deverá ganhar com ampla vantagem,permitindo que ele continue a ter influência política mesmodepois de sair da Presidência, no ano que vem. Na quinta-feira, Putin usou os maiores canais de televisãodo país para fazer um apelo à nação pelo voto na Rússia Unida.O pronunciamento causou revolta entre seus poucos adversáriospolíticos, que o acusaram de abuso de poder como chefe doKremlin. "Reclamei à Comissão Central das Eleições sobre o discursode campanha do presidente na quinta-feira", disse SergeiMitrokhin, vice-presidente do Partido Yabloko, em entrevista àrádio Ekho Moskvy. "Foi uma violação flagrante da lei, um abusode poder no interesse de um partido." O Kremlin e a Rússia Unida não estavam disponíveis paracomentar. O presidente da Comissão Central de Eleições, VladimirChurov, defendeu o discurso de Putin, dizendo que, uma vez queo presidente aparece como candidato da Rússia Unida, ele tem odireito de fazer campanha. REPRESSÃO À OPOSIÇÃO Ativistas e políticos de oposição vem sendo presos e seuscomícios vem sendo reprimidos. Os meios de comunicação sãodominados pelos aliados do Kremlin e a campanha é quase queinteiramente ocupada pelo logotipo da Rússia Unida --um ursopolar. Stanislav Babin, do partido liberal União das Forças deDireita, da região de Krasnodar, no Mar Negro, disse que umadezena de policiais, alguns armados com metralhadoras, tentaraminvadir a sede do partido no sábado. "É uma pressão oficial contra nosso partido. Oito milcópias de nossos panfletos de campanha foram confiscadas porserem 'extremistas'." O porta-voz da polícia recusou-se acomentar. A liderança da Rússia Unida considera as eleições para aDuma (Câmara de Deputados) como um referendo demonstrando apoioa Putin, que é presidente desde 2000. A maioria dos russos considera o ex-espião da KGB, de 55anos, como o responsável pela estabilidade e crescimentoeconômico do país depois do caos dos anos 1990. Pesquisas deopinião indicam que seu partido terá cerca de 60 por cento dosvotos. As pesquisas também indicam que o Partido Comunista é oúnico, além da Rússia Unida, que terá o mínimo exigido de 7 porcento do votos para obter assentos na Duma. Vários partidosliberais ficarão de fora, sem essa votação mínima. (Reportagem adicional de Iain Rogers em Berlim)

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