Libertação de presos de Cuba levará ao fim do bloqueio americano, diz Moratinos

Chanceler espanhol também diz que União Europeia levantará Posição Comum após solturas

estadão.com.br

21 de julho de 2010 | 11h34

MADRI - O ministro de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha, Miguel Angel Moratinos, disse nesta quarta-feira, 21, que a decisão das autoridades cubanas de libertar "todos" os presos políticos da ilha "terá consequências políticas nas relações dos EUA com Cuba", referindo-se ao fim do bloqueio americano sobre a ilha, segundo informações do jornal espanhol El País.

 

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Moratinos também citou uma melhora nas relações entre a União Europeia e a ilha caribenha. "Sim, levantaremos a Posição Comum da União Europeia, e os EUA deverão levantar o embargo", disse o chanceler durante uma sessão no Congresso.

 

Moratinos também destacou as declarações do presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, que confirmou o que o chanceler havia dito há alguns dias ao dizer que as libertações dos presos políticos não se limitarão às 52 anunciadas por Cuba no início do mês. Moratinos e Alarcón disseram que a ilha libertará todos os dissidentes em reclusão, "inclusive aqueles que não quiserem sair do país".

 

Para o chanceler, essa "boa notícia" terá também "consequências importantes para o processo de reformas em Cuba e é fruto de uma política de seu partido (PP) de busca do diálogo e convencimento para libertar os presos políticos que dura quase seis meses". O chanceler ainda indicou que a decisão de Cuba de libertar todos os presos "não se trata de um gesto humanitário", mesmo que tenha consequências desse tipo.

 

A decisão inicial de Cuba de libertar os 52 presos políticos foi tomada em conjunto com o governo espanhol e com o Arcebispado de Havana. Até o momento, 12 presos foram enviados à Espanha, e outros oito devem ser libertados nos próximos dias. Os 20 restantes serão libertados ao longo dos próximos quatro meses.

 

Todos os libertados fazem parte do grupo de 75 opositores preso em 2003 no episódio conhecido como Primavera Negra. Alguns cumprem pena de até 28 anos de prisão.

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