Líder da extrema-direita austríaca perde apoio após comentários

O líder do Partido da Liberdade, da extrema-direita da Áustria, está recebendo uma sova em relações públicas depois de se recusar a pedir desculpas por ter comparado seus seguidores a judeus e manifestantes antifascistas a um aglomerado nazista.

MICHAEL SHIELDS, REUTERS

06 de fevereiro de 2012 | 13h10

O comentário de Heinz-Christian Strache de que "nós somos os novos judeus", feito para um jornalista disfarçado em um baile de Viena - evento que os críticos dizem que atrai extremistas da direita - provocou alvoroço e pelo menos um revés temporário ao ressurgente partido eurocéptico.

As críticas do Partido da Liberdade aos resgates da zona do euro foram bem-recebidas pelos eleitores austríacos, aumentando suas chances de uma volta ao poder nas eleições parlamentares do próximo ano.

Mas na última pesquisa Gallup, apenas 11 por cento dos entrevistados escolheram Strache, de 42 anos, como seu chanceler preferido, depois que uma série de manchetes negativas fez com que o presidente da Áustria anulasse a concessão de uma medalha por serviços públicos que Strache receberia.

A pesquisa, para o jornal Oesterreich, mostrou que o Liberdade (FPO) havia perdido três pontos em apenas uma semana e tem 24 por cento de apoio, atrás dos Social-Democratas (SPO), com 29 por cento, e os conservadores da coalizão do Partido do Povo (OVP), com 25.

Strache insistiu que ele estava apenas tentando expressar solidariedade aos judeus perseguidos pelos nazistas ao descrever o que os convidados do baile sentiram quando passaram por um agitado grupo de manifestantes gritando e cuspindo neles em uma atmosfera de "psicose em massa".

Ao invés disso, suas declarações reviveram imagens do FPO como um partido da extrema direita, um ponto delicado em um país que foi anexado pela Alemanha nazista em 1938 e ainda se sente desconfortável com seu passado na época da guerra.

Líderes europeus temem que o populismo do FPO possa fazer a nação alpina, de 8,4 milhões de habitantes, seguir os passos da Finlândia, onde um partido antieuropeu atrasou um pacote de resgate para a Grécia.

Strache é a favor da divisão da zona do euro, com os membros mais fortes no norte e os mais fracos no sul. Ele quer que a Áustria pare de botar dinheiro em países retardatários onerados por dívidas, como a Grécia.

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