Líder de centro-esquerda é o favorito para se tornar premiê da Itália

Pier Luigi Bersani está na pole position para se tornar o próximo líder da Itália depois de vencer uma primária da centro-esquerda. O ex-comunista, no entanto, agora precisa convencer os mercados e o eleitor conservador de que não levará o país muito para a esquerda.

BARRY MOODY, Reuters

03 de dezembro de 2012 | 15h30

Bersani, de 61 anos, venceu uma disputa com Matteo Renzi, o jovem prefeito de Florença, em uma votação primária no domingo para escolher o candidato de centro-esquerda para uma eleição nacional na próxima primavera. Ele obteve mais de 60 por cento dos votos ante os 39 por cento de Renzi, vencendo em todas as regiões, com exceção da Toscana, local de origem do rival.

Com frequência, Bersani é retratado como um burocrata de carreira apagado. Mas a insistência dele em promover eleições na centro-esquerda contra a oposição dentro de seu Partido Democrata (PD) foi um golpe de mestre.

A votação o transformou no líder incontestável da centro-esquerda, notoriamente dividida, que apareceu reunificada a partir de uma eleição que obteve bastante exposição pública. Cerca de três milhões de eleitores participaram do segundo turno e quase quatro milhões do primeiro.

Os debates entre os candidatos atraíram uma audiência recorde na TV e reacenderam o interesse público no sistema político tradicional, que está sob séria ameaça do Movimento 5-Estrelas, do comediante Beppe Grillo.

As pesquisas de opinião mais recentes mostram a centro-esquerda na frente, na esteira do processo das primárias, e uma pequena queda no apoio a Grillo, que descartou a possibilidade de qualquer aliança pós-eleitoral e quer um referendo sobre se a Itália deve sair do euro. O movimento dele agora está em segundo lugar.

Com a centro-direita reduzida a frangalhos pela indecisão do ex-premiê Silvio Berlusconi, que ainda hesita sobre a possibilidade de concorrer em uma eleição geral, Bersani aparece como um favorito claro a se tornar primeiro-ministro.

Em breve, porém, enfrentará uma série de duros desafios. Acima de tudo, ele precisará convencer os eleitores conservadores que predominam na Itália de que não é um esquerdista perigoso e persuadir os investidores de que não vai pôr a perder o avanço conseguido pelo primeiro-ministro tecnocrata Mario Monti no resgate da Itália, depois que o país ficou à beira de um colapso ao estilo do da Grécia sob o governo de Berlusconi.

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