Líder de esquerda grega se recusa a apoiar austeridade

O líder radical de esquerda grego Alexis Tsipras previu nesta quinta-feira que seu partido vai vencer com folga a eleição do próximo mês e se recusou a não exigir o fim das políticas "bárbaras" de austeridade que, segundo ele, estavam levando a nação à falência.

LEFTERIS PA, REUTERS

17 Maio 2012 | 14h43

Cada vez mais preocupados com o futuro da Grécia na zona do euro, os credores estrangeiros e os partidos tradicionais têm intensificado os alertas de que o país corre o risco de perder uma ajuda financeira internacional se não conseguir cumprir os cortes de gastos incluídos no seu mais recente pacote de resgate.

Tsipras, líder do partido Syriza e estrela ascendente da política grega, prometeu que não iria ouvir nenhum grupo.

"Eles estão tentando aterrorizar as pessoas para fazer o Syriza ceder. Nós nunca iremos nos comprometer", disse o líder estudantil, de 37 anos, a parlamentares de seu partido, muitas vezes abordando-os como "camaradas".

"Nós nunca iremos participar de um governo para resgatar o pacote de socorro financeiro."

Pesquisas realizadas depois da inconclusiva eleição de 6 de maio sugerem que o Syriza está a caminho de superar os conservadores para se tornar o maior partido no Parlamento quando os gregos forem às urnas em 17 de junho.

Enfurecidos com rodadas repetidas de austeridade que cortaram salários e fizeram as taxas de desemprego saltar, os eleitores têm ignorado os alertas de líderes como o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, que disse que os gregos devem escolher sabiamente na eleição para evitar tirar o país da zona do euro.

Tsipras, que encantou os eleitores com sua boa aparência e promessa de rasgar o acordo de resgate, enquanto mantém a Grécia no euro, disse que o humor dos eleitores não iria mudar e previu que o Syriza teria o dobro de legisladores no período de um mês.

"AUSTERIDADE BÁRBARA"

"O povo grego votou pelo fim do resgate e da austeridade bárbara. Eles ignoraram as ameaças e a propaganda barata. E temos certeza que eles vão fazer o mesmo agora", disse Tsipras.

"As pessoas vão completar em 17 de junho o grande passo que deram em 6 de maio, independentemente do que o sr. Durão Barroso diz."

Pesquisa recente, realizada pela Pulse para o jornal To Pontiki em 15 e 16 de maio, mostrou o Syriza obtendo 24,5 por cento dos votos na eleição, colocando-o à frente de todos os outros partidos. O primeiro lugar vem com um bônus de 50 assentos extras no Parlamento de 300 vagas, que foram para os conservadores na última vez.

A longa crise econômica da Grécia se transformou em uma crise política plena depois que os partidos que se opõem aos termos de um resgate de 130 bilhões de euros tiveram ganhos expressivos na eleição de 6 de maio, deixando o país sem governo e aumentando as chances de que a nação possa renegar os termos do acordo.

No início desta semana, o presidente do país disse que os gregos tinham sacado até 800 milhões de euros (1 bilhão de dólares) de bancos à medida que a incerteza política se aprofunda. Em mais um golpe, o Banco Central Europeu disse que havia suspendido as operações de liquidez com alguns bancos gregos, porque o seu capital estava muito esgotado.

Temores de que o péssimo estado da Grécia poderia arrastar a zona do euro para uma crise profunda deixaram os mercados nervosos em todo o mundo nesta quinta-feira, e a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, alertou para consequências "extremamente caras" se a Grécia sair da zona do euro.

Um governo de emergência liderado por um juiz e composto principalmente de professores, tecnocratas e alguns políticos que comandarão o país até a eleição do próximo mês foi empossado nesta quinta-feira em uma cerimônia presidida pelo Arcebispo Ieronimos de Atenas.

Mais conteúdo sobre:
GRECIAESQUERDAAUSTERIDADE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.