Líderes cipriotas decidem retomar negociações de paz

'Estamos começando a discutir a solução para o problema do Chipre', diz líder turco-cipriota, Mehmet Ali Talat

Agência Estado e Associated Press,

21 de março de 2008 | 12h15

Líderes dos greco-cipriotas e turco-cipriotas chegaram a um acordo nesta sexta-feira, 21, para retomar as negociações de paz no Chipre, numa tentativa de superar as divisões étnicas da ilha. O presidente do Chipre, Dimitris Christofias, e o líder turco-cipriota, Mehmet Ali Talat, se reuniram pela primeira vez desde que Christofias foi eleito, no mês passado, gerando expectativas de uma solução para o conflito de três décadas. "Esta é uma nova era. Estamos começando a discutir a solução para o problema do Chipre", disse Talat após a reunião, que ocorreu numa zona de segurança controlada pela ONU, próxima ao há muito abandonado aeroporto de Nicósia. Ambos concordaram em abrir um cruzamento na Rua Ledra, um agitado centro de compras no centro de Nicósia que corre ao longo da linha divisória da capital cipriota. Ledra tornou-se um símbolo da divisão na ilha. Um cruzamento será criado na rua "assim que for tecnicamente possível", disse Michael Moller, representante da ONU no Chipre. A rua é bloqueada em ambos os lados por muros, feitos de alumínio e plástico, com prédios abandonados e entulho se espalhando entre as duas barreiras. A idéia é desmantelar os muros e isolar os prédios abandonados antes que o trecho da rua seja reaberto para pedestres.  O prefeito de Nicósia, Eleni Mavrou, disse à rede de TV estatal CyBC que o desmonte das barreiras começará na segunda-feira e que o cruzamento deverá ser criado na semana seguinte. O Chipre foi dividido em 1974, com a parte sul da ilha dominada pelos greco-cipriotas e a norte pelos turco-cipriotas, quando a Turquia invadiu o país em resposta a um breve golpe de estado que tinha como objetivo anexar a ilha à Grécia. As negociações de paz estão paralisadas desde 2004, quando os eleitores greco-cipriotas rejeitaram, em referendo, um acordo proposto pela ONU. Na época, a proposta foi aprovada pelos turco-cipriotas. "Devemos fazer o possível para chegarmos a uma solução negociada, para o bem do povo cipriota, de ambas as comunidades, assim que possível", disse Christofias. Ele admitiu que as partes ainda têm diferenças em relação a certas questões, mas disse que "possíveis divergências" serão examinadas em conjunto e que é necessário "manter o otimismo".

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