Líderes europeus fazem pacto para evitar Hollande, diz revista

A chanceler alemã, Angela Merkel, e outros líderes europeus concordaram em não se encontrar com o candidato socialista à Presidência da França, Francois Hollande, durante sua campanha, devido ao seu plano de renegociar o tratado de disciplina orçamentária, informou a revista alemã Der Spiegel.

REUTERS

04 de março de 2012 | 13h11

Além da chanceler alemã, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e o premiê italiano, Mario Monti, juntaram-se ao acordo. Em seguida, foi a vez de o líder britânico, David Cameron, também entrar, mesmo sem ter assinado o tratado, disse a revista sem citar fontes.

Uma porta-voz do governo alemão negou e informação neste domingo, comentando: "Cada líder de governo decide por conta própria se vai ou não se encontrar com o Sr. Hollande".

Hollande lidera as pesquisas presidenciais na França, cuja eleição ocorrerá em dois turnos entre abril e maio.

Perguntada se Merkel se encontraria com Hollande em Berlim, a porta-voz disse: "Até agora não há nada marcado".

Hollande visitou Londres há quatro dias para se encontrar com franceses e reafirmar ao setor financeiro que "não é perigoso". Ele se reuniu com o líder do oposicionista Partido Trabalhista britânico, Ed Miliband, mas não com Cameron.

Hollande afirmou que tem apoio de governos esquerdistas da Bélgica e Dinamarca, e que não precisa de ajuda do que chamou de "os governos mais conservadores da Europa".

FORÇA POLÍTICA

Hollande quer renegociar um novo tratado de disciplina fiscal na Europa, lançado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e pela chanceler alemã, Angela Merkel, mas rejeitado por Cameron. A proposta de Hollande é adicionar cláusulas de crescimento e unidade.

Merkel apoia Sarkozy e se preocupa com a possibilidade da França ser dirigida por um homem cuja campanha foi classificada por um de seus legisladores como um "anacronismo esquerdista".

A chanceler também está relutando em perder a força política que ela construiu com Sarkozy no combate à crise da dívida na Europa.

O candidato de extrema-esquerda Jean-Luc Melenchon falou sobre o pacto de não receber Hollande à rádio francesa Europe 1 neste domingo:

"Se esse for o caso, confirma nossa tese. A batalha está ocorrendo em nível europeu. Os conservadores estão se juntando para tentar defender sua liderança na França, porque eles sabem muito bem que, se houver uma brecha na França, será contagioso".

"Eles têm todas as razões para estar temerosos. Eles estão para receber a lição que merecem, porque creio que a França vai expulsar Sarkozy da Presidência", afirmou.

(Reportagem de Alexandra Hudson e Holger Hansen)

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