Líderes muçulmanos franceses pedem respeito à proibição do véu

Líderes islâmicos franceses pediram aos muçulmanos nesta quinta-feira que respeitem a proibição do país aos véus que cobrem o rosto inteiro. Eles solicitaram também que o governo não use a lei para estigmatizar os cidadãos muçulmanos.

REUTERS

23 de setembro de 2010 | 16h32

Os líderes se manifestaram após uma reunião com o presidente Nicolas Sarkozy, no Palácio do Eliseu. O Senado francês aprovou a lei na semana passado, abrindo caminho para a proibição dos véus que cobrem todo o rosto, após um período de seis meses destinado a informar as poucas mulheres que os usam.

A França será o primeiro país da Europa a impor uma proibição como essa, caso a lei não seja vetada pelo Conselho Constitucional, a mais alta autoridade constitucional da França. Quem descumprir a lei será multado em 150 euros ou terá de assistir a aulas de cidadania.

"Para nós, cidadãos responsáveis, o tempo para debates acabou. A lei foi aprovada", disse Mohammed Moussaoui, chefe do Conselho Muçulmano Francês (CFCM), após a reunião.

Embora não seja um defensor dos véus integrais, Moussaoui opôs-se à lei durante os meses de debate que precederam sua aprovação na Assembleia Nacional, em julho, e depois no Senado.

"Faremos todo o trabalho pedagógico necessário para ajudar as mulheres que usam os véus integrais para se adaptarem à lei", afirmou ele. Ao mesmo tempo, acrescentou, o CFCM vai monitorar a aplicação da lei "para que ela não estigmatize os cidadãos muçulmanos".

Referindo-se a possíveis represálias contra a França por parte de militantes islâmicos enfurecidos pela lei, Moussaoui afirmou que o CFCM condena "todos os atos contra nossos compatriotas e nosso país, especialmente se forem cometidos por pessoas alegando ser muçulmanas".

"Precisamos eliminar do nosso vocabulário o termo "islâmicos" para descrever terroristas. Preferimos 'terroristas' e 'criminosos'. Não aceitamos que o termo 'Islã e a religião do Islã sejam associados a esses atos de terrorismo."

A ministra da Justiça da França, Michele Alliot-Marie, disse ao Senado antes da aprovação por 246 a 1 que a lei reafirma os valores de igualdade e dignidade de todos os indivíduos e evitaria que as mulheres se tornassem membros sem rosto de uma comunidade étnica maior.

A comunidade muçulmana da França, com 5 milhões de pessoas, é a maior da Europa Ocidental. Estima-se, no entanto, que menos de 2 mil mulheres usem o véu integral. Muitos líderes muçulmanos afirmam que não apóiam nem o véu nem a lei que o proíbe.

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