Líderes religiosos da Áustria defendem circuncisão

Líderes católicos, protestantes, judeus e muçulmanos da Áustria se uniram em defesa da circuncisão nesta sexta-feira, condenando os pedidos de dois líderes provinciais para limitar a prática como um ataque à religião e exigindo que o governo esclareça a sua legalidade.

Reuters

27 de julho de 2012 | 12h59

A briga segue semanas de debate acalorado e indignação na Alemanha, onde um tribunal regional em Colônia proibiu o procedimento em 27 de junho como abuso físico.

O Ministério da Justiça, em Viena, expressou surpresa que um veredito alemão deva ser visto como tendo qualquer relevância na Áustria, e o ministro da Saúde minimizou a importância do que ele chamou de um debate exagerado importado da Alemanha.

"Estamos preocupados com todas as tentativas de explorar o debate que foi desencadeado pelo veredito em Colônia para promover uma atitude hostil na Áustria em direção ao Judaísmo, Islamismo ou a religião em geral", disse Peter Schipka, secretário-geral da Conferência dos Bispos Católicos Romanos Austríacos, a jornalistas nesta sexta-feira.

O líder protestante, Michael Buenker, observou que não houve ataques semelhantes em outras práticas que também eram intervenções físicas em crianças, tais como perfuração da orelha ou vacinas.

O direito à liberdade religiosa é protegido na Constituição austríaca e só pode ser alterado na lei por uma maioria de dois terços no parlamento.

Aqueles que procuram banir a circuncisão argumentam que o direito à liberdade de danos físicos deve prevalecer, e as crianças são incapazes de consentir em ser circuncidadas.

Os quatro líderes pediram ao governo para fazer uma declaração clara em defesa da liberdade religiosa e da legalidade da circuncisão masculina --uma obrigação no Judaísmo e no Islamismo.

A Câmara Baixa do Parlamento da Alemanha agiu rapidamente para aprovar uma moção protegendo a circuncisão religiosa de meninos pequenos na semana passada após o veredito do tribunal de Colônia.

Mas um chefe austríaco provincial aconselhou hospitais estatais nesta semana a parar de fazer circuncisões, dizendo que a posição legal na Áustria precisava ser esclarecida, e o governador de extrema direita de outra província pediu uma proibição federal.

(Reportagem de Georgina Prodhan)

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