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Lista falsa contra Sarkozy leva ex-premiê ao banco dos réus

Dominique de Villepin é acusado de manipular lista que incriminava personalidades por comissões ilegais

Efe,

21 de setembro de 2009 | 09h53

O ex-primeiro ministro francês Dominique de Villepin se senta nesta segunda-feira, 21, no banco dos réus com outros quatro acusados de terem manipulado uma lista falsa de personalidades supostamente beneficiadas por comissões ilegais, entre as quais estava o atual presidente francês, Nicolas Sarkozy.

 

O julgamento, que ocorre no Tribunal Correcional de Paris, surge como um capítulo determinante da longa história de rivalidade entre Villepin, agora afastado da cena política, e Sarkozy, que se constituiu como acusador particular ao dizer que quer esclarecer quem pretendeu colocar obstáculos no seu caminho para a chefia do Estado.

 

Precisamente, a presença de Sarkozy como parte civil será uma das primeiras questões que os juízes terão que examinar, pois Villepin pedirá que o retirem do processo com o argumento de que, como presidente da República, Sarkozy está em posição de exercer pressão sobre a Justiça e pode colocar em risco a divisão dos poderes.

 

Para o ex-primeiro ministro conservador, que como os outros acusados pode ser condenado a uma pena de até cinco anos de prisão e a uma multa de 375 mil euros, uma ameaça adicional é que este julgamento signifique o fim de sua carreira política.

 

Na lista vazada para a imprensa em 2004 apareciam personalidades que supostamente seriam titulares de contas na sociedade financeira Clearstream, de Luxemburgo. Entre elas, estava o pai de Sarkozy, outros políticos - tanto de direita como de esquerda -, industriais, diretores de meio de comunicação e até a atriz e modelo Laetitia Casta.

 

A lista, que se tornou conhecida como "Escândalo Clearstream", rapidamente se revelou falsa, com a suspeita de que havia sido fabricada para desprestigiar pessoas determinadas ao associá-las com comissões ilegais de uma venda de barcos a Taiwan no começo dos anos 90.

 

A dimensão política do caso surgiu quando Villepin, que tinha conhecimento da lista antes de ser tornada pública, determinou a investigação sobre o general dos serviços secretos Philippe Rondot no começo de 2004, quando era ministro de Exteriores, e sobretudo porque o fez pelas costas de Sarkozy, sem avisá-lo sobre a lista.

 

Isto ocorreu quando as ambições de Villepin na cúpula do Estado se chocavam com as de Sarkozy, que não escondia suas pretensões de chegar à presidência.

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