Londres decide retirar príncipe Harry do Afeganistão

Ministério da Defesa aprova saída do terceiro na sucessão do trono após site de fofoca quebrar sigilo da missão

Associated Press ,

29 de fevereiro de 2008 | 08h32

O Reino Unido decidiu retirar o príncipe Harry do Afeganistão depois do vazamento da notícia de que o terceiro na linha de sucessão do trono estava servindo havia quase três meses no Afeganistão com as tropas britânicas, informou o Ministério da Defesa.    Príncipe Harry está lutando contra Taleban no Afeganistão Veja fotos do príncipe Harry no Afeganistão    Harry, de 23 anos, servia na linha de frente com uma unidade do Exército numa das províncias mais conturbadas do Afeganistão desde meados de dezembro. A missão de Harry, graduado na academia militar de Sandhurst, vinha sendo mantida em sigilo, após acordo feito entre o governo e os principais meios de comunicação britânicos. O embargo, no entanto, foi quebrado pelo site do jornalista americano Matt Drudge. A permanência do príncipe no Afeganistão, em princípio, seria de quatro a seis meses.   "A situação agora mudou claramente", afirmou um comunicado assinado pelo chefe das Forças Armadas britânicas, o marechal Jock Stirrup, marechal Jock Stirrup. "A decisão foi tomada primeiramente com base no fato de que a cobertura da imprensa global sobre a presença de Harry no Afeganistão poderia causar um impacto na segurança dos soldados que estão em serviço, além dos riscos particulares que Harry correria como soldado", afirmou o comunicado.   O ministério pediu à mídia para não especular sobre como e quando Harry retornará e só voltar a tratar do assunto depois que ele estiver de volta ao Reino Unido. O tempo de permanência dos soldados britânicos no Afeganistão costuma ser de seis meses. Harry está no país asiático há pouco mais de dois meses e meio.   O príncipe era o oficial responsável pela coordenação de ataques aéreos na província sulista, uma das regiões mais perigosas do país. Ele também participava de patrulhas nas vilas locais. Desde a chegada de Harry ao Afeganistão, seu grupo de combate foi responsável pela morte de cerca de 30 rebeldes, disse uma fonte no Ministério da Defesa.   Numa entrevista filmada na semana passada, Harry disse acreditar que se transformará em alvo de militantes islâmicos quando retornar ao Reino Unido. "Uma vez que isso venha à tona, todos que os apóiam tentarão me pegar", comentou.   No ano passado, o comando militar britânico descartou a possibilidade de enviar Harry ao Iraque em meio a temores de que seu regimento se tornasse alvo preferencial dos rebeldes iraquianos. Na época, insurgentes advertiram em mensagens pela internet que o príncipe não voltaria vivo para casa. Além de Harry, seu avô, príncipe Philip, e seu tio, príncipe Andrew, também estiveram em combate. O príncipe Andrew combateu na Guerra das Malvinas contra os argentinos em 1982.   Segundo Harry, seu irmão mais velho, William, também graduado na academia militar de Sandhurst e que está treinando para ser piloto de caça, ficou com inveja dele por causa do envio ao Afeganistão. Por ser o provável futuro rei da Inglaterra, é improvável que o príncipe William seja algum dia enviado a missões de combate.   Matéria ampliada às 14h20.

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