Londres descarta extraditar Sarah Ferguson por causa de vídeo

Não há hipótese de a duquesa de York, Sarah Ferguson, ser extraditada para a Turquia por causa de um documentário de TV do qual ela participou, disse uma fonte do ministério britânico do Interior na sexta-feira.

MICHAEL HOLDEN, REUTERS

13 de janeiro de 2012 | 18h54

A Turquia solicitou a extradição de Ferguson pela acusação de "violar a lei na obtenção de imagens e violar a privacidade de cinco crianças" durante a realização do documentário em 2008, disse a agência turca de notícias Anatolian.

As acusações acarretam pena de até 22 anos e meio de prisão.

Ferguson, ex-mulher do filho mais novo da rainha Elizabeth, o príncipe Andrew, fingiu estar interessada em fazer doações e assim se infiltrou em orfanatos públicos da Turquia e da Romênia, acompanhada por uma câmera oculta, para registrar as más condições dos centros de reabilitação para crianças com deficiência mental.

O documentário, feito para o programa "Tonight", do canal ITV, mostrava crianças amarradas a camas, e crianças deficientes sendo negligenciadas por funcionários sobrecarregados.

Ferguson depois pediu desculpas à Turquia por eventuais constrangimentos causados.

O Home Office (ministério do Interior) britânico confirmou em nota o pedido de extradição, e disse que não o comentaria.

Uma fonte do ministério afirmou que não há hipótese de o pedido ser aceito, porque, para haver extradição de uma nação para outra, é preciso que o fato seja considerado crime em ambos os países. Segundo essa fonte, as acusações citadas pela Turquia "não são crime na lei do Reino Unido, e portanto a duquesa não será extraditada".

Questionada sobre o caso em 2009, Ferguson disse à Reuters: "Sou uma ativista dos direitos humanos para as crianças. Sou apolítica e multirreligiosa. Vou com os governos, não contra eles".

"Mas soarei como uma buzina pelos que sussurram em silêncio se sentir que as crianças não recebem a vida que deveriam receber. Em outras palavras, se elas estão em instituições e nem veem a luz do dia, isso não cai bem junto a mim."

As más condições nos orfanatos e manicômios turcos já foram alvo de várias investigações domésticas e internacionais.

Na época da exibição do vídeo, o governo turco acusou Ferguson de difamar o país para tentar dificultar sua adesão à União Europeia, num processo iniciado em 2005

(Reportagem adicional de Ibon Villelabeitia em Ancara)

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