Peter Morrison/Reuters
Peter Morrison/Reuters

Londres e Dublin dão 48 horas à Irlanda do Norte para acordo

Colapso do Executivo norte-irlandês pode interromper processo de paz e forçar convocação de eleições

Efe,

27 de janeiro de 2010 | 19h15

Os Governos do Reino Unido e da Irlanda fixaram nesta quarta-feira, 27, um prazo de 48 horas para que os partidos norte-irlandeses cheguem a um acordo sobre o futuro do Executivo autônomo de poder compartilhado.

 

Em entrevista coletiva conjunta com seu colega da Irlanda, Brian Cowen, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, explicou que apresentaram aos partidos uma série de propostas que podem formar a base para selar um acordo.

 

Os dois líderes deram como prazo até sexta-feira para que os partidos da província estudem as propostas e decidam o próximo passo, que deveria acabar na volta à autonomia das competências de Justiça e Interior, atualmente administradas por Londres.

 

Caso as partes não consigam "progressos substanciais", advertiu Brown, os dois Governos divulgarão suas "próprias propostas".

 

Segundo o primeiro-ministro britânico, Londres e Dublin consideram que a devolução das citadas competências poderá ser decidida em votação na Assembleia norte-irlandesa no início de março. Já o processo de transferência dos poderes às instituições autônomas poderia começar em maio, disse.

 

"Não se pode subestimar a importância que estas decisões têm para o futuro da Irlanda do Norte. Com liderança e coragem, é possível conseguir", insistiu Brown.

 

Durante as intensas negociações dos últimos três dias, o movimento político irlandês Sinn Féin, membro do majoritário Partido Democrático Unionista (DUP) insinuou que abandonará o Governo de poder compartilhado se os unionistas não conseguirem fixar uma data para a devolução das competências.

 

O colapso do Executivo de Belfast (capital da Irlanda do Norte) levaria à interrupção do processo de paz em uma crise de longa duração e forçaria a convocação de eleições autônomas antecipadas.

 

No entanto, o DUP sustenta que só dará sinal verde quando forem solucionadas outras questões - inaceitáveis, por enquanto, para os republicanos - como, por exemplo, a abolição da Comissão de Desfiles.

 

 

Criada um ano antes do acordo de paz da Sexta-Feira Santa (1998), a Comissão supervisiona e modifica as rotas das controversas manifestações protestantes da Ordem de Orange em algumas áreas católicas.

 

O líder do DUP e primeiro-ministro norte-irlandês, Peter Robinson - que a princípio permanece afastado temporariamente do cargo por causa de um escândalo -, declarou nesta quarta que seu partido não está disposto a aceitar "uma acordo de segunda classe" para contentar com isso as "exigências de datas de outras pessoas". "Faremos o que é correto para nossa comunidade", disse Robinson.

 

O Sinn Féin, antigo braço político do IRA, declarou sentir-se "profundamente decepcionado" com o fracasso das negociações com o DUP. Aquele acusou este de destruir o acordo com suas exigências sobre as manifestações da Ordem de Orange.

 

O vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte, o republicano Martin McGuinness, ressaltou que seu partido não tolerará que os "direitos dos cidadãos" fiquem sujeitos ao "veto unionista" ou às "condições da Ordem de Orange", uma associação que ainda consideram sectária.

Brown e Cowen deixaram juntos o Castelo de Hillsborough, nos arredores de Belfast, após três dias de duras negociações, retomadas agora pelo secretário britânico para a Irlanda do Norte, Shaun Woodward, e pelo titular de Assuntos Exteriores irlandês, Michael Martin.

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