Londres nega informação para defesa de preso em Guantánamo

Apesar de medida exigindo a libertação, governo afirma que dados colocam em risco a segurança nacional

Efe,

10 de setembro de 2008 | 09h55

O governo britânico não quis desclassificar como sigilosas algumas informações que ajudariam na defesa de um preso de Guantánamo com residência legal no Reino Unido por motivos de segurança nacional. O Ministério de Relações Exteriores afirmou nesta quarta-feira, 10, que os advogados do detido completaram a argumentação de sua recusa na última sexta perante o Tribunal Superior de Londres, que agora deve avaliar se estes argumentos são suficientes.   No dia 21 de agosto, o Tribunal Superior afirmou que o governo devia considerar a desclassificação dos documentos reivindicados pelos advogados do preso, que supostamente demonstrariam que sofreu torturas. No entanto, o Ministério de Relações Exteriores comunicou aos juízes em duas audiências posteriores - a última na sexta - que não podia fazer isto por motivos de segurança nacional. Caso o tribunal considere injustificada a posição oficial, poderia ordenar a divulgação forçada da informação, algo que, segundo o Executivo, "causaria um verdadeiro dano à segurança do Reino Unido".   O governo americano anunciou que estava disposto a fazer chegar a informação em questão à comissão militar de Guantánamo, que supostamente a transferiria para os advogados do acusado, o etíope Binyam Mohammed. "Sempre fomos da opinião de que esta informação deve estar disponível" para a defesa de Mohammed nos Estados Unidos, declarou um porta-voz da chancelaria. "A questão não é se a desclassificação deve acontecer, mas apenas como: através do sistema americano ou por ordem das cortes britânicas", acrescentou a fonte, que disse que o governo de Londres considera que a segunda opção prejudicaria a segurança do país.   Binyam Mohammed, de 30 anos e que mora de forma legal no Reino Unido, enfrenta a um julgamento militar na base americana de Guantánamo (Cuba) e, caso seja declarado culpado de crimes de terrorismo, poderia ser condenado à pena de morte. Mohammed, que está preso há quatro anos acusado de conspirar com a rede terrorista Al-Qaeda para cometer atentados contra civis, afirma que os documentos do governo britânico apóiam sua tese de que as provas apresentadas contra ele foram obtidas por meio de tortura.

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