Londres pede que EUA libertem cinco presos em Guantánamo

Reino Unido alega que detidos viviam em território britânico; Ministério não identifica nacionalidade dos presos

Efe,

07 de agosto de 2007 | 07h59

O governo britânico pediu aos Estados Unidos a libertação de cinco detidos na base de Guantánamo, em Cuba, que moravam no Reino Unido, informou nesta terça-feira, 7, o Ministério de Assuntos Exteriores.   O pedido representa uma guinada na política de Londres sobre o tema e sugere que o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, estaria determinado a seguir uma linha mais dura de defesa dos direitos civis do que seu antecessor, Tony Blair.   Londres até agora tinha se negado a pedir a libertação, pois os cinco não tinham nacionalidade britânica.   Os cinco detidos, identificados como Jamil el-Banna, Shaker Aamer, Omar Deghayes, Binyam Mohammed e Abdennour Sameur, viviam no Reino Unido antes de serem levados a Guantánamo.   Segundo o Ministério de Exteriores britânico, tanto o titular dessa pasta, David Miliband, como a ministra do Interior, Jacqui Smith, querem que estas pessoas sejam libertadas porque moravam legalmente em território britânico e o governo quer que o centro de detenção seja fechado.   Miliband escreveu para a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a fim de pedir formalmente a libertação, acrescentou a fonte.   Em comunicado, o ministério, que não informou a nacionalidade das cinco pessoas nem onde foram detidas,  especificou que a iniciativa está limitada aos vínculos que os detidos tinham com o Reino Unido, já que tinham residência legal no país. No entanto, o ministério esclareceu que a libertação dos cinco homens pode levar tempo.   "O governo continuará tomando, certamente, todas as medidas necessárias para manter a segurança nacional", acrescentou o ministério.   "Se estes homens retornassem ao Reino Unido, seriam aplicadas as mesmas medidas e considerações de segurança que a qualquer outro cidadão estrangeiro neste país", acrescentou.   Em janeiro de 2005, o governo conseguiu a libertação e o retorno a Londres de nove britânicos que estavam na base. Cidadania britânica    A nova postura britânica contrasta com a política seguida por Blair desde a abertura da carceragem de Guantánamo para abrigar suspeitos de "terrorismo", ocorrida meses depois da invasão do Afeganistão.   Blair, que recusava-se a intervir na maioria dos casos referentes a Guantánamo, optou apenas por engajar-se na libertação de nove cidadãos britânicos e de um residente que colaborou com os serviços secretos.   Com relação aos demais residentes detidos em Guantánamo, Blair argumentou em março deste ano que não poderia ajudar pessoas que não possuíam cidadania britânica. Antes de serem detidos, os cinco homens - um saudita, um jordaniano, um líbio, um etíope e um argelino - tinham status de refugiados, partida indefinida ou partida excepcional, situações estas que permitiam a eles permanecero Reino Unido, diz o comunicado.   "As discussões com o governo dos Estados Unidos sobre a libertação e a repatriação desses cinco homens pode levar algum tempo", prosseguia a nota.   A chancelaria britânica justificou a mudança de política com base no fato de os EUA terem começado a adotar medidas para reduzir o número de pessoas detidas em Guantánamo. A revisão foi recomendada por Miliband e pela secretária de Interior Jacqui Smith.   "Vemos isso como uma grande mudança na posição do governo. Antes disso, a libertação de residentes simplesmente não era pedida", comentou Moazzam Begg, um britânico que passou dois anos detidos em Guantánamo antes de ser libertado em 2005.   "Foram necessários cinco anos e meio para chegarmos a esse ponto", prosseguiu. "Há filhos que nunca viram seus pais. Há pais que morreram enquanto seus filhos estavam presos. Mas finalmente parece haver uma luz no fim desse longo túnel."   Apesar de muitos de seus ministros terem defendido abertamente o fechamento de Guantánamo, Blair limitava-se a qualificar a carceragem como "uma anomalia" e recusava-se a pressionar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a que fechasse o local.   "Essa mudança de política é extremamente bem-vinda, especialmente se sinalizar uma grande mudança de abordagem nos dois lados do Atlântico", comentou James Welch, diretor jurídico de direitos civis do grupo Liberdade.   "Certamente, os Estados Unidos e o Reino Unido não precisam de mais nenhuma evidência de que a detenção de pessoas sem acusações formais, os seqüestros e as torturas são totalmente contraproducentes na luta contra o terrorismo", prosseguiu.   Bisher al-Rawi, um iraquiano de 37 anos, foi o único residente do Reino Unido libertado até agora de Guantánamo. Ele foi solto em abril, depois de cinco anos de reclusão. Mas Rawi só foi solto depois de ter sido revelado que ele colaborou com o MI-5, serviço de espionagem interna do Reino Unido.   Ativistas de defesa dos direitos civis alegam que há um sexto residente britânico detido em Guantánamo. Segundo os ativistas, o argelino Ahmed Belbacha recebeu visto de residente e deveria ser incluído na lista.   Mas a chancelaria esclareceu que o pedido aplica-se somente aos residentes que entraram legalmente no Reino Unido. De acordo com uma fonte no governo, Belbacha entrou ilegalmente no país e não recebeu asilo.   Matéria ampliada às 11h50.

Tudo o que sabemos sobre:
LondresEUAGuantánamo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.