Lula acusa UE de xenofobia em nova lei de imigração

Presidente critica novas medidas que aprovaram a detenção e expulsão de imigrantes ilegais na Europa

Agências internacionais,

24 de junho de 2008 | 15h02

"O vento frio da xenofobia sopra outra vez", declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao criticar a aprovação pelo Parlamento Europeu de uma nova lei de imigração que prevê a expulsão de quem ingressa de forma ilegal na Europa. "O problema que temos no mundo desenvolvido hoje é o prejuízo contra a migração, o medo de perder o status quo e os empregos", acrescentou Lula, em um encontro com empresários em São Paulo. Veja também:OEA fará reunião extraordinária sobre lei de imigração da UESenado italiano aprova expulsão de imigrantesEntrevista: lei antiimigração 'é insulto', diz eurodeputadoBrasil 'lamenta' endurecimento de lei de imigração "Esse é um problema extremamente sério", continuou o chefe de Estado brasileiro. Para ele, a solução do problema imigratório "não está na proibição dos pobres de ir à Europa, mas ajudando os países a se desenvolverem." A declaração do presidente refere-se a lei aprovada na semana passada pelo bloco que autoriza a detenção temporária de imigrantes ilegais e sua expulsão do continente, proibindo um retorno por até cinco anos. Em seu discurso em uma reunião para discutir políticas de inclusão social, Lula fez alusão a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em dezembro completará 60 anos, e assinalou que a norma européia contraria os ideais deste acordo. "Passadas seis décadas do mais ousado compromisso de paz firmado após a Segunda Guerra mundial, fronteiras marcadas pelo prejuízo e discriminação voltam a cercar os países e separar os continentes", destacou o presidente. "Contra o medo e a intolerância, é necessário defender o artigo 13 da declaração de 1948 (dos Direitos Humanos) que nos diz que todo ser humano tem direito a circular livremente e escolher sua residência no interior de um Estado", concluiu Lula. Cerca de 400 mil brasileiros vivem na Europa, muitos de forma ilegal. O País tem criticado duramente as políticas restritivas de imigração.

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