AP Photo|Bob Edme
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Madri acusa governo catalão de responsabilidade por incidentes

Autoridade enviada pelo governo de Mariano Rajoy diz que o presidente regional catalão, Carles Puigdemont, é o único responsável pelos enfrentamentos e distúrbios em Barcelona e no interior

Andrei Netto, enviado especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2017 | 08h18
Atualizado 01 Outubro 2017 | 15h17

BARCELONA - O delegado do governo central da Espanha, Enric Millo, acusou o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, de ser o responsável por todos os incidentes já ocorridos e os que venham a ocorrer em Barcelona e no interior em razão do plebiscito pela independência que ocorre neste domingo, 1.º. A votação é considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional e levou a polícia a intervir em seções eleitorais, entrando em choque com militantes nacionalistas e deixando centenas feridos pela manhã.

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Segundo Millo, cabe a Puigdemont pôr fim aos acontecimentos em curso hoje, que qualificou como "farsa". "O que está acontecendo na Catalunha não é um plebiscito e nada que se pareça", argumentou o delegado de Madri. "Exorto ao presidente da Catalunha que ponha fim a essa irresponsabilidade tão grave."

O representante do primeiro-ministro Mariano Rajoy na Catalunha reiterou ainda que a polícia tem mandado judicial para agir e impedir a votação. De acordo com ele, o Estado de Direito "funciona e tem de funcionar". "O presidente de Catalunha e seu governo são os únicos responsáveis pelo que se passou e pelo que pode se passar hoje se não colocar fim a esse despropósito. Não tem nenhum sentido continuar com essa farsa", disse. 

Puigdemont acusou uma hora antes o governo central de Madri de ser o responsável pelas cenas de violência que vêm se produzindo em frente a escolas e institutos onde a votação seria realizada. Millo respondeu às críticas elogiando a polícia catalã e dizendo que os agentes de choque enviados por Madri, da Guarda Nacional e da Polícia Nacional, estão cumprindo as ordens da Justiça. "As forças de ordem estão atuando com mandado judicial e proporcionalidade. Não estamos em uma jornada eleitoral e a nada que se pareça com isso", sustentou. 

Segundo ele, os Mossos d’Esquadra, a polícia regional catalã, que não interveio diretamente na desocupação das escolas, solicitaram a ajuda das forças do Estado central para evitar distúrbios nas seções eleitorais. "No exercício de sua responsabilidade, os Mossos d'Esquadra solicitaram ajuda das forças do Estado para complementar o cumprimento das ordens judiciais", explicou. "Isso mostra o acerto da decisão de enviar agentes das forças de ordem do Estado. Era necessária a ajuda e a presença dos agentes, que estão atuando com a proporcionalidade que cada caso exige." 

 

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