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Efe
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Madri detém 'Robin Hood' fraudador de bancos

‘Herói antissistema’, Robin Banco enganou 39 bancos e publico artigo ensinando a fazê-lo

Pablo López Guelli, Especial para O Estado de S. Paulo

19 de março de 2009 | 08h10

O jogo acabou, e a banca venceu. Assim pode ser resumida a curiosa história de Enric Durán, o catalão convertido num "herói antissistema" desde que decidiu mostrar para toda a Espanha como enganou 39 bancos e conseguiu a astronômica soma de 492 mil (quase R$ 1,5 milhão).

 

Por dois anos, o ativista de 33 anos falsificou documentos e criou empresas falsas para obter empréstimos bancários. Pagava os empréstimos com novos empréstimos, num esquema piramidal. Quando achou que já tinha dinheiro suficiente, decidiu anunciar seu feito em grande estilo: redigiu uma espécie de guia de como enganar os bancos e o publicou numa revista gratuita na Catalunha. Na mesma edição, Durán disse que não pagaria nem um centavo do dinheiro que havia "expropriado" e afirmou que boa parte da quantia tinha sido usada para financiar os 200 mil exemplares da publicação.

 

O objetivo da ação, segundo disse, era criar um debate social sobre o papel das entidades bancárias na sociedade. "É uma forma de desobediência civil para denunciar o financiamento do consumo e da especulação financeira", escreveu. Como resultado, ele foi processado e a Justiça determinou sua prisão, mas ele havia tomado o cuidado de fugir do país um dia antes do anúncio de suas maracutaias. Passou seis meses na América do Sul e viu como seu nome ganhava fama enquanto a história ficava conhecida. Em pouco tempo passou a ser chamado de "Robin Hood dos bancos" e "Robin Banco".

 

Cansado do autoexílio, voltou tão ousado quanto partiu. Na terça-feira, seis meses após a fuga, ele anunciou numa entrevista coletiva em Barcelona a publicação de uma nova revista de crítica social, com tiragem de 355 mil exemplares, "para estimular a mobilização dos cidadãos (no sentido de ludibriar os bancos)". Ao ser indagado sobre se não tinha medo de ser preso, o ativista respondeu que não "porque o impacto na sociedade seria muito grande".

 

Mas a Justiça não pensou assim e o "príncipe dos ladrões" espanhol foi preso na mesma terça-feira, pouco depois de proferir seu discurso revolucionário.

Durán responderá por crimes de falsificação e roubo e pode pegar até 6 anos de prisão.

 

O caso do "Robin Banco" de certa forma ilustra como a crise econômica afeta o imaginário da população espanhola. Com uma taxa de desemprego que deve chegar a 18% no final do ano e uma legião de espanhóis que não tem como pagar a hipoteca, muitos viram com entusiasmo a fórmula pouco ortodoxa utilizada pelo herói antissistema: basta não pagar os empréstimos.

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