Máfia italiana jura de morte o autor de 'Gomorra' até o Natal

Roberto Saviano, de 29 anos, escreveu sobre as brutalidades dos mafiosos; filme é candidato ao Oscar

Reuters,

14 de outubro de 2008 | 11h35

A polícia italiana está investigando relatos de que a máfia de Nápoles planeja executar a ameaça de matar Roberto Saviano, autor do best seller Gomorra, até o Natal. Saviano, de 29 anos, vive há dois anos escondido, com proteção policial 24 horas por dia, desde que "Camorra", como é conhecida a máfia em sua cidade, decidiu puni-lo pelo sucesso do livro, que virou filme e é baseado em suas próprias investigações sobre a brutalidade dos mafiosos. O livro vendeu 1,2 milhão de cópias na Itália e foi traduzido para 42 línguas. Agora que chegou aos cinemas e é candidato ao Oscar, a máfia está ainda mais irritada e quer ver Saviano e seus seguranças mortos o mais rápido possível. "Lançamos um inquérito para verificar a veracidade desta notícia", disse à Reuters Franco Roberto, coordenador do esquadrão antimáfia de Nápoles. Os jornais italianos disseram que o clã Casalesi (que virou manchete recentemente devido ao assassinato de seis africanos, o que despertou a revolta de imigrantes), o mais notório da máfia local, teria decidido levar a cabo a ameaça de morte, procurando matar o escritor até o Natal. A fonte da informação foi uma pessoa próxima a Francesco Schiavone, codinome "Sandokan", chefe da Camorra. De cabeça raspada, barba, piercing na sobrancelha e camiseta preta, Saviano se tornou um símbolo da luta contra o crime organizado para a nova geração de italianos. Na segunda-feira, Saviano disse a uma rádio local que muitos de seus dias são "terríveis". O escritor afirmou que o que deixou a máfia preocupada foram os seus milhões de leitores. "Os leitores que ameaçaram os chefes do crime, não eu", disse Saviano. Alguns políticos exigiram que o poder público seja solidário com a situação do escritor. "Ninguém deve tocar Saviano!", disse a ex-ministra Giovanna Melandri, denunciando a Camorra como "um dos maiores cânceres que tomam conta do nosso país".

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