Alessandro Bianchi/Reuters
Alessandro Bianchi/Reuters

Mafioso que acusa Berlusconi de integrar máfia depõe na sexta

Segundo Gaspare Spatuzza, premiê tem ligações com a Cosa Nostra, o grupo mafioso da Sicília

Efe,

03 de dezembro de 2009 | 12h26

O ex-mafioso Gaspare Spatuzza, que acusou o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, de colaborar com a Cosa Nostra (a máfia siciliana) vai prestar depoimento na sexta-feira, 4, perante os juízes.

 

Segundo informações divulgadas pelos veículos de comunicação italianos, Spatuzza declarou aos investigadores que Berlusconi e um de seus homens de confiança, o senador Marcello Dell'Utri, tinham ligações com a Cosa Nostra. Estas acusações tinham, inclusive, levado a imprensa nacional a afirmar que Berlusconi era investigado pela Procuradoria de Florença, o que posteriormente foi desmentido por um dos magistrados.

 

Spatuzza, braço direito dos chefes da Cosa Nostra, Giuseppe e Filippo Graviano, do chamado clã de Brancaccio, comparece pela primeira vez para dar seu testemunho no julgamento contra Dell'Utri, condenado em primeira instância a nove anos de prisão por formação de quadrilha para a máfia.

 

O mafioso, assassino de aluguel do clã Brancaccio e agora colaborador da Justiça, será interrogado, por motivos de segurança, na cidade de Turim (noroeste do país) pelos juízes do Tribunal de Apelação de Palermo (Sicília) responsáveis pelo julgamento.

 

Diante da possibilidade de Spatuzza repetir suas acusações, cresce a expectativa em relação a seu comparecimento. Mais de 200 jornalistas italianos e estrangeiros pediram credenciamento no Tribunal de Turim para acompanhar o depoimento. Segundo os veículos de comunicação, Spatuzza declarou que, entre o final de 1993 e o início de 1994, a Cosa Nostra havia escolhido Dell'Utri e Berlusconi como seus novos representantes políticos.

 

Diante das acusações, Berlusconi afirmou há poucos dias que, "se há uma pessoa que está muito longe da máfia, essa pessoa" era ele, e assegurou que ninguém fez mais que ele por lutar contra o crime organizado.

 

As declarações de Spatuzza também podem esclarecer assuntos como a suposta negociação que o Estado tentou com a Cosa Nostra na década de 1990.

 

Além disso, as revelações levaram à reabertura das investigações sobre o atentado que, em 1992, matou o juiz antimáfia Paolo Borsellino, pois Spatuzza declarou que foi ele quem roubou o carro-bomba que explodiu na rua D'Amelio, em Palermo, causando a morte do magistrado.

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