Magnata georgiano morreu por 'causas naturais', diz polícia

Oficiais britânicos dizem que não indícios de crime, mas realizarão testes para descartar envenenamento

Agências internacionais, REUTERS

14 de fevereiro de 2008 | 08h18

O magnata georgiano Badri Patarkatsishvili morreu no último dia 12 no Reino Unido por "causas naturais", segundo os resultados preliminares da autópsia, informou nesta quinta-feira, 14, a polícia de Surrey (sul da Inglaterra). Porém, investigadores afirmaram que realizarão testes para detectar um possível envenenamento. Patarkatsishvili, que vivia exilado no Reino Unido e temia por sua vida, foi encontrado morto às 21h (de Brasília) da terça-feira em sua residência de Leatherhead, nos arredores da capital britânica. O bilionário acusava o governo do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, de querer matá-lo. "A polícia de Surrey pode confirmar que não há indicações de que a repentina morte de Badri Patarkatsishvili não tenha sido por outro motivo além de causas naturais. Entretanto, testes toxicológicos ainda serão realizados e podem durar várias semanas", disse o porta-voz da polícia. Conhecido como um dos homens mais poderosos da Geórgia (ex-república soviética), Badri, de 52 anos, tinha o controle de praticamente todos os principais setores da economia de seu país. O magnata se dizia perseguido. Segundo o porta-voz de Badri, Guga Kvitaishvili, a causa da morte seria um ataque do coração, ocorrido durante a madrugada. As análises feitas nesta quarta mesmo em Londres não teriam revelado envenenamento, mas ainda há suspeitas de um possível assassinato. Com sua fortuna avaliada em 6 bilhões de libras esterlinas, Badri afirmou em uma de suas últimas entrevistas que não regressaria por enquanto para a Geórgia, com medo de ser assassinado. Amigos de Badri entregaram às autoridades inglesas uma fita com conversas entre um funcionário do governo da Geórgia e o líder da guerrilha chechena Uvais Akhmadov. A fita mostraria que haveria um plano para matar o magnata. Oposição Badri era visto como a força motriz por trás protestos antigovernamentais de novembro último e era investigado por acusações de conspirar para derrubar o governo. Ele negava as acusações, mas admitiu ter dado grandes somas à polícia para não reprimir os manifestantes. Os protestos, porém, foram reprimidos com brutalidade pelos policiais. O oposicionista deixou a Geórgia em novembro e passou algum tempo em Israel e no Reino Unido. Ele concorreu à presidência do país no mês passado, mas foi derrotado por Saakashvili. Grupos de oposição denunciaram que houve fraude na eleição.  "Mesmo que tenha sido um ataque cardíaco, a situação recente na Inglaterra e a deterioração das relações com a Rússia levantam suspeitas mesmo quando não há base para suspeitas", comentou Natasha Chouvaeva, editora do Russian London Courier. Em 23 de dezembro, o magnata pediu formalmente à polícia georgiana que investigasse o suposto complô para assassiná-lo. "Se as autoridades não responderem a esse apelo urgente e não adotarem as medidas adequadas, elas serão responsáveis por isso", advertiu o bilionário numa nota divulgada por intermédio de uma empresa de relações públicas.Na ocasião, a Scotland Yard informou que a polícia georgiana não havia entrado em contato sobre nenhum complô para matar Badri. Na quarta, a Scotland Yard informou que não se pronunciaria sobre a suposta ameaça. Além de ter contribuído com os protestos contra Saakashvili, o magnata era investigado na Geórgia por suspeita de conspirar para derrubar o governo. Ele também era procurado pelas autoridades russas por acusações de furtar carros da maior fabricante da Rússia, a AvtoVAZ, na década de 1990 e de organizar a fuga em 2001 de um sócio que estava sob custódia policial numa investigação de fraude. Badri concorreu contra o presidente Saakashvili na eleição de janeiro, conseguindo 7% dos votos. Grupos oposicionistas acusaram Saakashvili de ter fraudado a eleição para conseguir os 53% dos votos que garantiram sua reeleição em primeiro turno. Em setembro do ano passado, o ex-ministro da Defesa georgiano Irakli Okruashvili denunciou que Saakashvili o encorajou a assassinar Badri em 2005, mas posteriormente retirou a acusação. O magnata enriqueceu durante o período em que viveu na Rússia, entre 1993 e 2001. Ele foi sócio de Berezovski em diversos empreendimentos. Perante tribunais britânicos, ambos alegaram terem sido obrigados a se desfazer de ações que mantinham em várias companhias por apenas "uma fração do valor". Cada um deles saiu com o equivalente a US$ 1 bilhão das vendas. (Com Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo)

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