Magnata russo Khodorkovsky é condenado a mais 6 anos de prisão

Um juiz russo determinou na quinta-feira que o ex-magnata Mikhail Khodorkovsky permaneça preso até 2017, depois de ele ser condenado por roubo e lavagem de dinheiro, num caso considerado pelo Ocidente como um teste ao estado de direito da Rússia.

ALEXEI ANISHCHUK, REUTERS

30 de dezembro de 2010 | 15h40

O juiz moscovita Viktor Danilkin atendeu a solicitação dos promotores e ordenou que Khodorkovsky cumpra uma pena de 14 anos de prisão, incluindo sua condenação atual de oito anos e contando a partir do dia de sua prisão, em outubro de 2003.

O juiz disse que Khodorkovsky e Platon Lebedev, outro acusado, não poderiam ser corrigidos sem "isolamento da sociedade." Ambos observaram a declaração do juiz dentro de uma cela com paredes de vidro na sala do tribunal.

Vestido de preto, Khodorkovsky parecia espantado quando Danilkin anunciou a sentença. A pena anterior deveria acabar em outubro do ano que vem. Os advogados do magnata dizem que a sentença foi proferida sob pressão do primeiro-ministro Vladimir Putin.

"Que Deus amaldiçoe você e seus descendentes", gritou a mãe de Khodorkovsky, Marina, ao juiz, enquanto ele saía às pressas da corte, imediatamente após proferir a sentença.

Khodorkovsky nega as acusações. Simpatizantes dizem que a convicção faz das promessas do presidente russo, Dmitry Medvedev, de melhorar o estado de direito uma piada.

"A sentença foi claramente emitida sob a pressão das autoridades do executivo, lideradas, como antes, pelo senhor Putin", disse o advogado Yuri Shmidt, da equipe de defesa.

"Putin indicou à corte quem é o chefe hoje e quem decide hoje o destino e a vida de Khodorkovsky", afirmou ele.

A Rússia afirmou que o julgamento é assunto de seu sistema judiciário e rejeitou as sugestões "sem fundamento" dos EUA de que o veredicto era resultado de uma justiça seletiva.

Numa conversa com os russos, televisionada em 16 de dezembro, Putin afirmou que Khodorkovsky tinha sangue nas mãos e que "um ladrão precisa estar na cadeia", evocando o fraudador norte-americano Bernard Madoff para dizer que uma pena de 150 anos seria adequada, caso fosse permitida pela lei.

(Reportagem adicional de Maria Tsvetkova)

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