Mais de 40 mil participam de guerra de tomates na Espanha

Tomatina tinge de vermelho cidade espanhola com centenas de toneladas de 'mísseis comestíveis'

Reuters e Ansa,

29 de agosto de 2007 | 10h12

Toneladas de tomates pintaram de vermelho as ruas da pequena cidade de Buñol, na Espanha, nesta quarta-feira, 29, durante a tradicional guerra de comida conhecida como Tomatina.  A bagunça é a grande atração do festival anual que tornou a cidade, a 40 quilômetros de Valência, conhecida mundialmente. Cerca de 40 mil pessoas participaram da Tomatina. "Nunca me diverti tanto", berrava a irlandesa Clarissa Hills, enquanto projéteis vermelhos zuniam sobre sua cabeça. A festa, realizada na última quarta-feira de agosto, se desenrolou sem incidentes ou feridos graves e registrou o maior público de seus 60 anos de história, segundo a prefeitura de Buñol. Moradores trancaram portas e pregaram pedaços de madeira para proteger janelas enquanto uma multidão eufórica, em boa parte por causa do álcool, aguardava a chegada de seis caminhões com 117 toneladas de mísseis comestíveis.  Os tomates, maduros, procedentes de uma cooperativa de Castellón, chegam em cinco caminhões que são descarregados por moradores de Buñol, antes da "batalha de tomates", que se prolonga durante uma hora. Mar vermelho Uma hora de bombardeio transformou a praça de Buñol numa massa de pessoas ensopadas, algumas afundadas até a cintura num mar de bagaço de tomate.  A extravagância começou em 1944, quando, para espantar o tédio, o médico Paco Garces Sanchez e amigos tentaram acertar tomates na trombeta de um músico de rua. No ano seguinte, o grupo elegeu como alvo balões numa festa realizada na cidade. "Um ano mais tarde, decidimos não esperar por balões nem nada e fizemos outro ataque com tomates", disse Garces. "O prefeito ficou furioso e chamou a Guarda Civil." Em 1948 a Tomatina foi banida, depois que um servidor federal chegou à cidade no dia da festa e foi saudado por uma chuva de tomates. Em protesto, moradores fizeram o funeral simbólico de um tomate gigante. "Toda Buñol veio, vestida de preto", disse Garcês.  Um alarme indica o fim da festa e início da limpeza das ruas; os participantes dispõem, então, de 500 duchas para se lavar. Turistas vindos do Japão, Coréia, Bélgica, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Itália, França e Alemanha participaram da festa, declarada de interesse turístico internacional em 2002. Mas nem todos os moradores da cidade aprovam a festa, que custa quase 50 mil euros (mais de R$ 130 mil) e atrai um exército de beberrões. "Pessoas de fora não sabem brincar: você precisa amassar os tomates primeiro, para não machucar as pessoas", disse Irene Recueroaquila, de 20 anos.  Mesmo alguns turistas não entraram no clima. "Nunca mais vou comer tomate", disse a advogada londrina Laura Janes, de 28, enquanto tirava sementes do cabelo.

Tudo o que sabemos sobre:
TomatinaEspanha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.