Mais de cem países assinam declaração anti-xenofobia da ONU

Texto encontra consenso; países islâmicos reconhecem Holocausto em documento que pede fim da intolerância

da Redação, com agências internacionais,

21 de abril de 2009 | 12h29

Mais de cem países aprovaram nesta terça-feira, 21, uma declaração da ONU que pede o combate mundial à intolerância e à xenofobia. A versão final do texto da Conferência Mundial sobre o Racismo foi adotado por consenso após dias de negociações. A aprovação ocorreu depois que os países islâmicos cederam em suas exigências e concordaram com um parágrafo que reconhece a necessidade do Holocausto judeu não ser esquecido, enquanto a rejeição a islamofobia (sentimento de ódio ao islã) foi incluída no documento. Nove países boicotam a conferência desde o início, entre eles Estados Unidos, Israel e quatro da União Europeia (Polônia, Alemanha, Holanda e Itália), alegando que o encontro podia se transformar em um fórum antissemita, como, segundo eles, aconteceu no primeiro fórum, em 2001.

 

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A rápida aprovação do documento, que foi negociado durante meses em conversas prévias em Genebra, pode ajudar a salvar a conferência, que vai até sexta-feira, após a má repercussão gerada pelos comentários do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que em seu discurso acusou Israel de ter um "governo racista". A passagem do texto pode fazer trazer o foco às questões de pobreza e discriminação, objetivos do encontro.

 

Durante o dia, os participantes deram a impressão de que não haveria problemas para que se chegasse a um consenso, já que os diferentes grupos, especialmente os árabes, foram flexibilizando suas posições. O texto inicial da declaração continha uma linguagem que muitas delegações questionaram. Desde então, foi revisado diversas vezes e se retiraram menções a países e a conflitos específicos (Israel e a questão palestina), assim como as referências à "difamação de religiões", que defendiam os países muçulmanos.

 

A Casa Branca declarou que reconhece os esforços de consenso realizados até hoje, mas que ainda há aspectos com os quais diverge, e que não pode apoiar restrições à liberdade de expressão que poderiam resultar da interpretação de algumas passagens do texto relativas à "incitação" ao ódio religioso. Desta vez, os palestinos aceitaram que sua causa não fosse citada e a única menção fosse a condenação de "ocupação estrangeira."

 

Na segunda-feira, secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "lamentou profundamente" o boicote de nove países à conferência sobre o racismo, e o fato de que tenham prevalecido as posições políticas, acima da unidade na luta contra a discriminação. "Lamento profundamente que muitos (países) tenham decidido se manter fora (do processo)", afirmou o secretário-geral, acrescentando: "estou profundamente decepcionado."

 

"O documento é muito equilibrado e estabelece um marco concreto de ação em uma campanha global na busca da justiça para as vítimas do racismo no mundo", avaliou Ban. A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, agradeceu na segunda-feira a "flexibilidade" mostrada pelos palestinos e pelos países da Organização da Conferência Islâmica "em assuntos cruciais para eles". "Invoquei repetidamente a plena participação dos Estados-membros da ONU e lhes pedi que não percam de vista que o objetivo da conferência é conseguir sociedades livres de discriminação.

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