Mais dois ativistas são encontrados mortos na Chechênia

Chefe de ONG e seu marido haviam sido sequestrados; no Daguestão, jornalista russo também foi achado morto

11 de agosto de 2009 | 11h21

Os corpos da chefe de uma ONG juvenil da Chechênia e de seu marido foram encontrados nesta terça-feira, 11, no porta-malas de um carro com ferimentos à bala. O casal estava desaparecido desde a segunda-feira, quando foi visto pela última vez próximo à sede da Unicef, na cidade de Grozni, segundo o diário espanhol El País. Um jornalista russo também foi encontrado morto no Daguestão, também na região do Cáucaso.

 

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Zarema Sadulayeva, à frente da ONG "Salve a nova geração!" e seu marido, ambos ativistas de direitos humanos na Chechênia, foram sequestrados na segunda-feira por cinco homens que invadiram a sede da organização por volta das 14 horas locais e saíram em alta velocidade com um carro, afirmaram as testemunhas.

 

O casal foi encontrado pela madrugada com vários ferimentos à bala. É a segunda vez que um dirigente da ONG é assassinado: em 2005, Murad Murádov foi detido em um bairro de Grozni e mais tarde seu corpo foi entregado completamente desfigurado aos seus familiares.

 

A "Salve a nova geração!" se dedica à reabilitação física e psíquica de crianças e jovens chechenos, principalmente as vítimas de minas terrestres e outras armas remanescentes das ultimas duas guerras no país com a Rússia nos anos 90. A idade máxima dos jovens ajudados pela ONG, que trabalha na Chechênia desde 2002, é de 21 anos.

 

"Se trata de um crime monstruoso", declarou Tatiana Lokshiná, chefe da filial de Moscou da ONG Human Rights Watch. "Depois da morte de Natalia Estemírova parecia que teríamos uma pausa nos assassinatos a ataques contra os ativistas de direitos humanos. Infelizmente não foi assim", continuou.

 

Natalia, chefe da ONG "Memorial" da Chechênia, foi sequestrada em Grozino e brutalmente assassinada no mês passado. Vladimir Orlov, que dirige a central da organização, acusou o presidente checheno, Ramzan Kadirov, de ser o responsável pelo crime. O presidente negou a acusação e, no sábado passado, reafirmou inocência referindo-se a si mesmo em terceira pessoa, como costuma fazer. "Porque Kadirov assassinaria uma mulher como ela? Não tinha honra, nem dignidade e nem consciência", disse o presidente.

 

Muitos ativistas dos direitos humanos acreditam que Kadirov - acusado de praticar pessoalmente a tortura e de usar sequestros e execuções sumárias nos suspeitos de simpatizarem com a guerrilha - está por trás de outros assassinatos, inclusive o da jornalista Anna Politkovskaya, em 2006.

 

Daguestão

 

O jornalista russo Malik Akhmedilov foi encontrado morto em Makhachkala, a capital do Daguestão, informaram fontes policiais dessa divisão federal russa no Cáucaso Norte, segundo a agência de notícias EFE.

 

O cadáver do jornalista, correspondente do jornal "Hakikat" ("A Verdade"), foi encontrado no interior de um automóvel Lada que estava estacionado em uma rua da periferia da capital. "Malik Akhmedilov foi assassinado com um tiro no abdômen", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior do Daguestão, citado pela agência "Interfax".

 

Uma equipe de peritos e investigadores policiais trabalha no local onde foi achado o cadáver do jornalista, acrescentou a fonte, que não antecipou nenhuma versão sobre os possíveis motivos do crime.

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