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Mandato presidencial maior é medida pensada, diz líder russo

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse na terça-feira que pensava havia anos sobre a possibilidade de prorrogar o mandato presidencial, rebatendo assim acusações de que tinha passado a considerar a hipótese movido pelas apreensões resultantes do período atual de instabilidade econômica. Adversários do governo afirmaram que a ampliação do mandato presidencial dos atuais quatro anos para seis integrava um plano, surgido frente à crise financeira global, para que o poderoso ex-presidente Vladimir Putin retome seu cargo. "Essa proposta (de ampliar o mandato presidencial) não foi espontânea", disse Medvedev a repórteres depois de reunir-se com autoridades na cidade de Izhevsk (na região dos Urais). "Para ser sincero, eu comecei a pensar nisso cinco anos atrás, naturalmente sem suspeitar de que eu seria o responsável por implementar a medida." "Seria algo adequado à atual fase do desenvolvimento da nossa sociedade e do nosso Estado se o presidente tivesse um mandato maior. Neste momento, isso seria útil para fortalecer a autoridade dos que se encontram no poder", afirmou. A câmara baixa do Parlamento russo prepara-se para acatar um projeto de reforma da Constituição defendido pelo Kremlin com vistas a alterar a duração do mandato presidencial. A mudança não valeria para o governo de Medvedev. Alguns analistas disseram que a reforma da Constituição deve ser usada como uma justificativa jurídica para convocar eleições antecipadas das quais Putin participaria. Um porta-voz de Putin, que, desde o final de seu segundo mandato presidencial, ocupa o cargo de primeiro-ministro, negou a existência de um plano do tipo. Garry Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez e membro da oposição, disse à Reuters em uma entrevista concedida na terça-feira acreditar que o premiê preparava-se para tomar o lugar de Medvedev, o homem cuja subida ao poder contou com o apoio ativo de Putin. "Do meu ponto de vista, a única explicação racional é que ele (Putin) está assustado com a crise e deseja voltar ao Kremlin", afirmou Kasparov. (Reportagem de Denis Dyomkin)

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