Manifestante e polícia se enfrentam em protesto pró-Karadzic

Cerca de 15 mil participam de ato contra a extradição em Belgrado; pelo menos 46 ficam feridos

Agências internacionais,

29 de julho de 2008 | 14h56

Milhares de ultranacionalistas sérvios, cantando emblemas extremistas, ocuparam o centro de Belgrado nesta terça-feira, 28, para protestar contra os planos de extraditar o ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic para o Tribunal de crimes de guerra das Nações Unidas (ONU). Apesar de toda a expectativa, apenas 15 mil pessoas participaram do ato, número bem inferior aos 100 mil esperados, segundo afirmou a polícia no início da manifestação.   Veja também: Divulgado vídeo de Karadzic em festa antes de ser preso Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Um grupo de manifestantes entrou em confronto com a polícia, atirando coquetéis Molotov e quebrando vitrines de lojas do centro de Belgrado. As autoridades usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes.   Segundo informações da imprensa sérvia, cerca de 46 pessoas ficaram levemente feridas, entre elas 25 policiais. Dois jornalistas, um sérvio e um espanhol, também se feriram.   O presidente da Sérvia, Boris Tadic, pediu aos manifestantes que promovessem um ato pacífico. "Não há sentido em protestar contra o fato de um país obedecer a lei", disse Tadic, segundo a CNN.   A expectativa era de que a manifestação fosse a maior realizada na capital sérvia desde fevereiro, quando 150 mil pessoas protestaram contra a proclamação da independência de Kosovo. A polícia estima que cerca de 15 mil pessoas estavam no comício, número bem inferior ao esperado pelos ultranacionalistas que organizaram o protesto.   Apelação contra extradição   O Tribunal de Belgrado informou nesta terça que ainda não recebeu a apelação do advogado de Karadzic contra a extradição ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia, onde será julgado. Quando receberem a apelação, as autoridades sérvias terão um prazo de três dias a decisão.   "Por enquanto, não há nada de novo a respeito dos dias anteriores" sobre a apelação, disse a porta-voz do tribunal Ivana Ramic. O objetivo do advogado de Karadzic, Svetozar Vujacic, é adiar a extradição o máximo possível, embora não seja possível impedi-la.   De acordo com os serviços secretos, há dezenas de maneiras para extraditar Karadzic da maneira discreta, como em veículos camuflados, através de saídas secretas e em viagens ao amanhecer em veículos falsos, que despistem as câmeras de televisão, que estão presentes do lado de fora da prisão, do tribunal e do aeroporto.   "Somente dez pessoas na Sérvia sabem exatamente o que acontecerá", adiantou à agência de notícias Reuters um alto funcionário do governo, que não quis se identificar. Outro indicou que não será um espetáculo público. "Acontecerá da forma mais discreta possível", acrescentou.   Não há um prazo legal previsto para esperar que se receba a apelação por envio postal, e tudo dependerá da avaliação do tribunal. Karadzic foi detido em 21 de julho nos arredores de Belgrado, onde vivia e trabalhava com identidade falsa. O ex-presidente servo-bósnio é acusado pelo TPII do genocídio e outros crimes contra a humanidade cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).     (Matéria atualizada às 19h20)   

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