Manifestantes antigoverno são presos em Moscou

A polícia russa deteve cerca de 60 pessoas durante uma manifestação antigoverno no sábado, em Moscou, horas depois que o primeiro-ministro, Vladimir Putin, ofereceu uma mensagem conciliadora à oposição em seu pronunciamento televisionado de Ano Novo.

REUTERS

31 de dezembro de 2011 | 18h05

Testemunhas disseram à Reuters que viram a polícia cercar e prender manifestantes que gritavam palavras de ordem como "fora Putin!" e "libertem os presos políticos!"

A polícia disse que cerca de 200 pessoas participaram do comício, com 60 detidos. Durante a manifestação, sob temperaturas próximas de zero em uma via principal da capital, muitos manifestantes usavam a fita branca que se tornou um símbolo dos protestos.

Putin tem enfrentado manifestações massivas desde as eleições parlamentares de 4 de dezembro. Os manifestantes e os observadores internacionais afirmam que as eleições foram marcadas por fraudes e violações. Apesar da crescente pressão, Putin deverá ganhar a eleição presidencial em março com folga e retornar ao Kremlin.

"Claro, eu quero desejar a todos os nossos cidadãos, independente de sua filiação partidária - aqueles que simpatizam com as forças de esquerda, e aqueles à direita, os de cima e abaixo, todos -, quero desejar felicidade e prosperidade a todos", disse ele em seu discurso.

Ele comentou de passagem as tensões políticas, mas disse que eram "o custo inevitável da democracia", especialmente em época de eleição.

"Nessas ocasiões, os políticos sempre tentam manipular os sentimentos dos eleitores, tudo fica um pouco agitado, mas é o custo inevitável da democracia. Não há nada de incomum nisso", disse ele.

O protesto de sábado teve lugar na Praça Triumfalnaya, um ponto de encontro tradicional da oposição, que também serviu como o berço das manifestações que tomaram a Rússia este mês.

Policiais e outras forças da ordem foram deslocados para a área bem antes de o protesto começar, às 17h, com ônibus e vans nas ruas ao redor da praça.

O protesto foi organizado pelo movimento "Estratégia 31", que desde 2009 vem organizando manifestações para marcar o direito de reunião pacífica garantida no artigo 31 da Constituição. Eles se reúnem no último dia de cada mês com 31 dias.

Os comícios do Estratégia 31 não têm aprovação oficial, e os participantes estão sujeitos à prisão. Entre os detidos no sábado, estava o líder do Partido Nacional Bolchevique, Eduard Limonov, informou a imprensa russa.

Dezenas de milhares de pessoas têm saído às ruas este mês, nas maiores manifestações de oposição desde que Putin subiu ao poder, em 1999. O último grande protesto foi realizado em 24 de dezembro, no centro de Moscou.

No sábado, um outro protesto atraiu cerca de cem pessoas em São Petersburgo. A polícia informou que houve cerca de cem detenções.

A rádio Eco Moskvy também informou que cerca de 200 pessoas, incluindo crítico do Kremlin Boris Nemtsov, participaram de um comício na cidade de Nizhny Novgorod, às margens no Rio Volga, que transcorreu sem incidentes.

(Reportagem de Alfred Kueppers; reportagem adicional de Mikhail Voskresensky em Moscou e Dobkina Liza em São Petersburgo)

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