Manifestantes e policiais entram em confronto em Atenas

Confusão assusta consumidores nas compras de Natal; coquetéis molotov são lançados na região do Parlamento

Agências internacionais,

18 de dezembro de 2008 | 12h08

A polícia antidistúrbio entrou em confronto com manifestantes que lançavam pedras no centro de Atenas nesta quinta-feira, 18. A confusão levou consumidores que buscavam compras de Natal e pessoas que estavam nos cafés a se refugiarem, em busca de abrigos.   Pais temerosos corriam para retirar suas crianças de um carrossel no principal quarteirão da cidade, para fugir em seguida. Os manifestantes interromperam um protesto pacífico lançando pedras e coquetéis molotov na polícia e em edifícios próximos ao Parlamento. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo   A Grécia sofre com confrontos quase diários desde a morte de um jovem pela polícia. No dia 6, Alexandros Grigoropoulos foi atingido por um policial e morreu, em circunstâncias não esclarecidas. O policial está preso e responde por homicídio. Trata-se da pior onda de confrontos no país em décadas.   "Abaixo esse governo de sangue, pobreza e privatizações", dizia um dos cartazes carregados pelos cerca de 7 mil manifestantes nos protestos contra a reforma socioeconômica e contra o fracasso do governo em proteger da crise global os gregos, que foram às ruas após o assassinato do adolescente. Os protestos de sindicatos, estudantes e professores também ocorreram na cidade de Tessalônica, no norte, e na ilha de Creta.   Os piores protestos em décadas no país, que sucedem a morte a tiros do jovem de 15 anos, foram alimentados pela revolta contra a desaceleração econômica e o aumento do desemprego juvenil. O prejuízo da violência já resultou em centenas de milhões de euros só em Atenas. Os protestos abalam o cada vez mais impopular governo conservador. "Só não terminamos porque é Natal. Vamos continuar e intensificar nossa luta no ano que vem", disse Stathis Anestis, porta-voz da federação sindical para o setor privado GSEE, que participa dos protestos.   Uma paralisação de três horas por funcionários públicos interrompeu todos os vôos, exceto os de emergência, entre 7h e 10h (horário de Brasília). Os transportes urbanos também pararam, ao mesmo tempo em que médicos e professores faltaram ao trabalho, revivendo a greve de 24 horas da semana passada.   Aumentando a tensão na capital antes de novos protestos planejados para esta quinta e sexta-feira, a polícia afirmou que um jovem de 16 anos foi baleado na mão por um homem não-identificado na noite de quarta-feira, em Atenas. "Não é só a polícia que anda com armas", disse o porta-voz da polícia Panagiotis Stathis, negando veementemente que qualquer policial esteja envolvido. "Não havia nenhum policial ali, porque não havia motivo. Agora estamos conduzindo uma investigação para ver quem foi o responsável."   Os protestos levaram a diferença de rendimento entre os bônus gregos e os alemães -uma medida de percepção de risco - a níveis recordes. Membros do governo dizem que a violência tem afetado a imagem da Grécia ao redor do mundo. Uma pesquisa de opinião publicada nesta quinta-feira pelo jornal Avgi, realizada após o começo dos protestos, mostra que o Partido Socialista Pan-Helênico, de oposição, tem 6,5 pontos percentuais a mais de popularidade que o governista Nova Democracia.   O policial que matou Grigoropoulos foi acusado de assassinato e está preso à espera de julgamento, e seu companheiro foi acusado de cúmplice. Ele disse que deu um tiro de alerta para se defender de um grupo de jovens, mas o advogado da família do rapaz afirma que ele mirou para matar sem receber nenhuma provocação significativa.

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