Yuri Tutov/Reuters
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Manifestantes temem violência do governo da Rússia após eleição

Oposição foi às ruas na segunda-feira para protestar contra fraudes nas eleições presidenciais

Reuters

06 de março de 2012 | 08h44

MOSCOU - Líderes oposicionistas russos acusaram nesta terça-feira, 6, o primeiro-ministro Vladimir Putin de endurecer a repressão aos dissidentes, depois de tropas de choque da polícia deterem centenas de manifestantes que contestavam a vitória dele na eleição presidencial de domingo.

 

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Policiais com capacetes pretos recolheram mais de 500 pessoas, incluindo vários líderes da oposição, que participaram na segunda-feira de manifestações não-autorizadas em Moscou e São Petersburgo, ou que se negaram a se dispersar ao final de um evento que havia sido autorizado.

Muitos manifestantes foram rapidamente libertados, como Alexei Navalny, cujo blog sobre a corrupção fez dele uma referência para o movimento anti-Putin. Outros, no entanto, poderiam ser condenados nesta terça-feira a penas de prisão curtas.

Após três meses de protestos pacíficos, iniciados por causa das suspeitas de fraude na eleição parlamentar de dezembro, a intervenção policial sinaliza que Putin está perdendo a paciência com a oposição e poderá reprimir manifestantes que saírem da linha.

Mas a moderação demonstrada pela maioria dos policiais, mesmo ao empurrar manifestantes para as viaturas, também sugeriu que Putin está determinado a não dar chance aos seus críticos para que o retratem como um ditador pronto para suprimir qualquer contestação à sua autoridade.

Por outro lado, testemunhas disseram que a polícia foi mais dura contra um grupo que tentou protestar na praça Lyubianka, em frente à sede do Serviço Federal de Segurança (sucessor da soviética KGB, onde Putin fez carreira). Mesmo na praça Pushkin houve relatos de que alguns manifestantes ficaram machucados, e uma deles disse ter tido o braço quebrado.

"O uso da força e da detenção de políticos oposicionistas poderia ter sido evitado", disse pelo Twitter, na noite de segunda-feira, o candidato presidencial derrotado Mikhail Prokhorov. "Foi um comício pacífico. Estou indignado com o uso da força contra pessoas que vieram expressar suas opiniões. Os fatos de hoje na praça Pushkin romperam a tradição dos recentes protestos sociais no país."

Putin, atualmente primeiro-ministro, foi eleito presidente no domingo com mais de 64 por cento dos votos. Ele já ocupou o cargo entre 2000 e 2008. Observadores independentes disseram que o processo eleitoral foi fortemente manipulado para beneficiar Putin, o que as autoridades negam.

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