Philippe Wojazer / Reuters
Philippe Wojazer / Reuters

Doações para reconstruir Catedral de Notre-Dame já somam R$ 2,6 bilhões

L'Oréal dará 200 milhões de euros, que se somam aos 200 milhões doados pelo grupo LVMH e aos 100 milhões prometidos respectivamente pela família Pinault e pela petrolífera Total

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 04h32
Atualizado 16 de abril de 2019 | 18h08

PARIS - As doações de companhias francesas e milionárias para financiar a reconstrução da Catedral de Notre-Dame em Paris, parcialmente destruída por um incêndio na noite de segunda-feira, ultrapassaram os 600 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões) nesta terça-feira.

A empresa francesa de cosméticos, L'Oréal, dará 200 milhões de euros, um valor agregado aos 200 milhões doados pelo grupo LVMH e aos 100 milhões prometidos respectivamente pela família Pinault e pela petrolífera Total.

A família Bernard Arnault, propietária do grupo LVMH, propôs, além da ajuda financeira, colocar a disposição "suas equipes criativas, arquitetônicas e financeiras".

Martin Bouygues, proprietário do grupo Bouygues, e seu irmão Olivier disseram estar "muito afetados" e farão uma doação  "a título pessoal" de dez milhões de euros através de sua holding familiar, SCDM.

O empresário Marc Ladreit de Lacharrière (Fimalac) afirmou que deseja participar com 10 milhões de euros "para a reconstrução da flecha", enquanto a família Bouygues prometeu o mesmo montante.

Um impulso de solidariedade sem precedentes "que se deve à posição completamente excepcional de Notre-Dame", para François Debiesse, chefe da associação Admical que promove o mecenato corporativo, comparando este movimento de solidariedade com o observado durante grandes desastres humanitários.

A Total, por sua vez, doará 100 milhões de euros para reconstruir a catedral de Notre-Dame de Paris, conforme anunciou o presidente executivo do petroleiro francês, Patrick Pouyanné, no Twitter. Através de sua fundação, o banco Crédit Agricole anunciou uma doação de cinco milhões de euros. Outros bancos, como Société Générale, BNP Paribas, Crédit Mutuel e CIC também prometeram doações. 

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse nesta terça que a cidade financiaria a reconstrução com 50 milhões de euros e propôs uma conferência internacional para coordenar as doações e restaurar o edifício.

Enquanto os bombeiros ainda trabalhavam, empresas e anônimos começaram a fazer doações pelo site da Fondation du patrimoine. Através des organismo privado (e os sites don.fondation-patrimoine.org e fondation-patrimoine.org) que se organiza o financiamento nacional. 

A Heritage Foundation, uma organização francesa financiada por fundos privados, também pede doações em seu site, bem como iniciativas no site de crowdfunding Leetchi. A região de Ile-de-France, que inclui Paris e seus arredores, prometeu dez milhões de euros.

Para reconstruir o templo, que anualmente recebe 13 milhões de visitantes - uma média de 35.000 pessoas por dia - serão necessários artesãos especializados e madeiras raras.

O diretor do grupo Charlois, o maior fornecedor de carvalho na França, prometeu oferecer os melhores materiais para reconstruir a complexa armação de madeira, conhecida como "a floresta", devido ao número de vigas usadas para construí-la.

A Unesco, com sede em Paris, prometeu trabalhar com a França para restaurar a catedral, inscrita desde 1991 em sua lista de patrimônios da humanidade.

E a solidariedade ultrapassa as fronteiras francesas. Em Nova York, a associação French Heritage Society pediu doações de seus 450 membros.

Henry Kravis, cofundador do fundo de investimento americano KKR, e sua esposa Marie-Josée Kravis prometeram dez milhões de dólares. No Twitter, o CEO da Apple, Tim Cook, anunciou uma doação, sem informar o montante.

Por sua vez, a bilionária brasileira Lily Safra fez uma "doação importante", segundo afirmou à AFP Stéphane Bern, encarregado da missão do patrimônio, sem revelar o montante.

A restauração poderá custar centenas de milhões de euros por vários anos, até mesmo décadas, embora especialistas afirmem que as consequências poderiam ter sido piores.

É por isso que muitas pessoas pediram uma mobilização de recursos para uma rápida reconstrução. A cidade húngara de Szeged também doará 10 mil  euros porque em 1879 Paris ajudou a reconstruir esta cidade do sul do país, devastada por uma inundação. 

Na Costa do Marfim, o rei de Krindjabo, a capital do reino de Sanwi, no sudeste do país, prometeu uma doação. Um príncipe de seu reino foi batizado na catedral no século 18.

Incêndio devastou parte da igreja

A catedral, joia arquitetônica medieval e um dos pontos turísticos mais conhecidos de Paris, foi gravemente desfigurada por um incêndio. 

Mais  de 400 bombeiros impediram o colapso total da igreja, que começou a ser construída no século 12 e sobreviveu a guerras, a revoluções, à ação do tempo e ao ingresso de 13 milhões de turistas por ano. Uma investigação preliminar indica que o fogo começou de maneira acidental na catedral mais visitada do mundo. 

Diante das chamas, os parisienses se reuniram nas margens do Rio Sena e sobre pontes para assistir, incrédulos, às chamas consumirem a catedral. Parte deles entoou a Ave Maria. Muitos choravam, enquanto o fogo se espalhava pelo prédio, que começou a ser construído em 1163 e foi concluído em 1345. O presidente francês, Emmanuel Macrondisse: “Parte de nós queimou com a catedral”.

Repercussão do incêndio na Catedral de Notre-Dame

O Vaticano disse ter ficado "chocado e triste com a terrível notícia sobre o símbolo da cristandade na França e no mundo" e apresentou sua solidariedade ao povo francês e as orações aos bombeiros e a todos que estão fazendo o possível para lidar com a situação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que as autoridades francesas "ajam com rapidez" para conter o incêndio na Catedral de Notre-Dame.   "Que horrível assistir ao amplo incêndio na Catedral de Notre-Dame, em Paris. Talvez aviões com tanques de água podem ser usados para apagar o fogo. Deve-se agir rapidamente", escreveu o republicano no Twitter. A direção da Segurança Civil disse que a possibilidade de usar aviões para apagar o fogo estava descartada, pois o peso da água destruiria todo o monumento.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Notre-Dame é um "símbolo da França" e de "nossa cultura europeia". "Essas imagens horríveis doem. Nossos pensamentos estão com os amigos franceses", disse no Twitter o porta-voz da chanceler, Steffen Seibert.  

Fogo controlado

O secretário de Estado do Interior Laurent Nuñez afirmou à imprensa que o fogo foi controlado na catedral de Notre-Dame por volta das 7h (2h do horário de Brasília) desta terça-feira, 16. No entanto, ainda não se sabe "como sua estrutura resistirá."

"Foi descartado o perigo de fogo. A preocupação agora é saber como a estrutura foi afetada pelo incêndio gravíssimo dessa noite", declarou Nuñez.

Perdas

Por sua vez, o ministro da Cultura Franck Riester disse que dois terços do telhado se perderam. "A princípio, o incêndio não é criminal. O fogo parece ter começado onde estavam os andaimes erguidos para restaurar a flecha que, acabou totalmente destruída".

Riester ainda confirmou que os vitrais da catedral sofreram danos. No entanto, não deu informações sobre o estado dos grandes quadros que enfeitavam o interior da igreja. Devido a seu tamanho, eles não puderam ser retirados. / EFE, REUTERS e AFP.

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