Marchas protestantes desencadeiam distúrbios na Irlanda do Norte

A polícia usou balas de borracha e jatos d'água na terça-feira para dispersar jovens católicos envolvidos em um tumulto que começou com a passagem de uma passeata protestante por seus domínios.

CONOR HUM, REUTERS

12 de julho de 2011 | 20h10

A violência marca o auge da "temporada das passeatas" realizadas pelos protestantes norte-irlandeses para celebrar uma vitória militar do século 17, uma tradição que muitos católicos consideram uma provocação.

Dezenas de jovens atiraram garrafas, telhas e bombas incendiárias no bairro de Ardoyne, majoritariamente católico, onde a polícia se mobilizou para evitar um confronto com o desfile da Ordem de Orange.

Pelo menos um carro foi incendiado, e dezenas de balas de efeito moral foram disparadas. A polícia estima que cerca de 500 passeatas tenham sido realizadas no território, a maioria de forma pacífica, embora tenham ocorrido confrontos isolados em outras áreas de Belfast.

Durante três décadas, até 1998, a Irlanda do Norte conviveu com a violência entre os católicos, favoráveis à incorporação da província à vizinha República da Irlanda, e os protestantes, partidários da atual associação com a Grã-Bretanha.

Atualmente vigora uma partilha de poderes entre nacionalistas e unionistas, e a violência diminuiu. Mas a polícia diz que nunca, desde o Acordo da Sexta-Feira Santa, a estabilidade esteve tão ameaçada por grupos dissidentes.

As passeatas protestantes habitualmente vinham acompanhadas de tambores e flautas, mas por ordem das autoridades locais elas agora devem passar em silêncio pelas áreas católicas. Também silencioso foi o protesto feito por dezenas de moradores de Ardoyne à passagem dos protestantes, embora um pequeno grupo de mulheres entoasse o hino nacional irlandês.

Mas, a centenas de metros dali, centenas de jovens eram jogados em viaturas por agentes da tropa de choque, numa reação policial que muitos moradores disseram ter sido exagerada.

"É a mesma coisa todo ano, é uma provocação", disse o católico Jim, de 47 anos. "Estamos cercados aqui. Não surpreende que a garotada tenha tanto ódio."

A passeata celebra a vitória do rei Guilherme de Orange sobre o rei católico Jaime na Batalha de Boyne, em 1690, fato que ajudou a assegurar a supremacia protestante na Irlanda.

"É uma celebração, não queremos nenhuma confusão", disse o protestante Eddie Whyte, de 42 anos, ao passar na manhã de terça-feira em frente à Câmara Municipal de Belfast.

"Se eles ficam ofendidos com a bandeira britânica, talvez não devessem estar vivendo neste país."

Na véspera, mais de vinte policiais já haviam ficado feridos num confronto. Políticos católicos e protestantes vêm pedindo calma nos últimos dias, e fizeram um apelo para que os moradores não saiam às ruas a fim de protestar contra os desfiles.

(Reportagem de Ian Graham e Conor Humphries)

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