Medicamento pode ter causado 2 mil mortes na França

Mediator, utilizado para tratamento de diabéticos, só foi suspenso em 2009

EFE, EFE

18 de dezembro de 2010 | 08h01

O Mediator, um medicamento utilizado para tratamento de diabéticos com problemas de peso, pode ter causado até 2 mil mortes na França, além das 500 mortes reconhecidas pela Segurança Social.

 

O jornal Le Figaro publicou neste sábado (18) um outro estudo encomendado pela Segurança Social, que considera um prazo maior e estabelece o número de falecimentos entre mil pessoas, no mínimo, e duas mil. Além disso, o relatório revela uma carta destinada à Agência Nacional de Medicamento (ANF) que alertava os riscos do medicamento em 1998, mas o produto não foi retirado do mercado até novembro de 2009.

 

O relatório, assinado por três médicos, pedia ao presidente da ANF da época, Jean-René Brunetiere, que reavaliasse os efeitos do produto na saúde e, portanto, sua livre prescrição facultativa. Os três médicos que enviaram o documento, de reconhecido prestígio na França, compararam o Mediator com o Isoméride, um produto de características similares e que foi retirado do mercado mundial em 1997 porque aumentava a hipertensão arterial pulmonar e o risco de enfermidades nas válvulas cardíacas.

 

O medicamento, produzido pelo laboratório francês Servier, foi objeto de outras investigações, tanto na França como na Europa, e foi retirado do mercado na Itália e Espanha em 2003, assim como foi feito com outros produtos que, como o Mediator, eram destinados a controlar o apetite dos pacientes.

 

No entanto, na França as autoridades sanitárias o mantiveram por considerar que os sinais de risco eram pequenos. Até que um último estudo, lançado em 2007, acabou por retirar o Mediator das farmácias dois anos mais tarde.

 

A Segurança Social reconheceu em meadosdo mês passado que o Mediator foi a causa de, pelo menos, 500 mortes. Mas o Le Figaro revelou que outro estudo eleva o número de falecidos, e reconhece o risco de valvuloparia derivado do consumo do produto. É uma patologia que levou 597 pacientes ao hospital apenas em 2006. Destes, 64 faleceram, uma projeção que levou a os autores do primeiro estudo a estimarem em 500 o número de mortos. Mas o novo estudo leva em conta também o grau de sobremortalidade registrado entre os sobreviventes ao longos dos anos seguintes. Mostra que o risco de problemas cardíacos se multiplicam por três entre os pacientes que tomam Mediator.

 

Desenvolvido inicialmente para diabéticos, o Mediator começou a ser comercializado em 1976 para aqueles pacientes que tinham problemas de excesso de peso e gordura no sangue. Com o tempo, suas propriedades para inibir o apetite fizeram com que ele fosse prescrito também como emagrecedor. Calcula-se que na França o medicamento foi consumidor por dois milhões de pessoas. Em 2006, ano do estudo divulgado neste sábado, 303 mil pessoas o consumiram, dos quais 70% eram diabéticos.

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