Médico iraquiano é culpado por ataques em Londres e Glasgow

Bilal Abdullah e cúmplice deixaram carros-bomba na cidade contra outro veículo contra terminal do aeroporto

Efe,

16 de dezembro de 2008 | 12h37

O médico iraquiano Bilal Abdullah foi declarado culpado nesta terça-feira, 16, por um tribunal britânico dos atentados com carro-bomba em Londres e Glasgow em junho de 2007, nos quais morreu seu cúmplice, Kafeel Ahmed. Abdullah, de 29 anos, era acusado dos crimes de conspiração para assassinar e para causar explosões.   Outro acusado em relação ao caso, o neurologista jordaniano Mohammed Asha, de 28 anos, foi absolvido pelas mesmas acusações. Abdullah será sentenciado na quarta, enquanto Asha será posto em liberdade e deportado para seu país, segundo determinou o juiz. Bilal Abdullah estava junto com Ahmed no jipe incendiário lançado contra um terminal do aeroporto de Glasgow (Escócia), em 30 de junho do ano passado. No dia anterior, ambos tinham colocado em pleno centro de Londres dois carros-bomba com bujões de gás, gasolina e pregos que não chegaram a explodir, porque os dispositivos de detonação falharam.   Durante o julgamento, Abdullah, que trabalhou na previdência social britânica, admitiu que, segundo a legislação deste país, era um terrorista. No entanto, disse que não fazia parte de uma conspiração para matar, mas tanto ele quanto Ahmed só queriam chamar a atenção sobre a situação no Iraque e no Afeganistão. O médico insistiu em que não tinham planejado o atentado em Glasgow, mas foi idéia de Ahmed entrar no terminal de repente e sem avisar, quando ambos tinham fugido após deixar os dois carros-bomba em Londres.   Ahmed, de origem indiana, morreu em 2 de agosto no hospital aonde foi internado por causa das queimaduras sofridas. Abdullah foi detido no mesmo aeroporto, enquanto Asha foi detido no mesmo dia do ataque na estrada M6, perto da localidade de Sandbach, em Cheshire. Durante o julgamento, a acusação argumentou que os acusados, que vieram ao Reino Unido para estudar e trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (NHS), eram membros de uma célula terrorista islâmica que queria restabelecer o terror causado pelos atentados de 7 de julho de 2005. Passaram vários meses comprando veículos, alugando propriedades e preparando bombas, disse o promotor Jonathan Laidlaw ao júri.   Laidlaw afirmou que os homens, que se conheceram quando estudavam, tinham acesso a mais material explosivo, detonadores para telefone celular e pelo menos outros dois veículos para cometer ataques. O promotor disse que só "a sorte" salvou da morte os londrinos que freqüentavam a área do centro da cidade onde os terroristas estacionaram os dois veículos em 29 de junho, já que, no final, estes não explodiram. Esse ataque fracassado colocou a polícia na pista de Abdullah e Ahmed, que no dia seguinte lançaram o carro-bomba contra o aeroporto escocês.   Os explosivos do jipe também não funcionaram, mas causaram um incêndio que provocou queimaduras em Ahmed, enquanto seu parceiro foi detido. O promotor disse que "o extraordinário" do caso é que os acusados são médicos, que passaram de atender pacientes a planejar a morte de vários inocentes. Seus atos, segundo ele, estavam motivados pelo que percebiam como perseguição dos muçulmanos nos territórios palestinos, Afeganistão e Iraque.   Além de Abdullah e Asha, foi detido em relação ao caso o irmão de Ahmed, Sabeel Ahmed, de 26 anos e ex-médico do NHS, que em maio foi deportado para a Índia após ter sido condenado, em abril, a 18 meses de prisão por esconder informação. Outros detidos são Mohammed Hannef, indiano de 27 anos que tinha trabalhado para o NHS em Cheshire e que foi capturado na Austrália, e a esposa de Asha, Marwah Dana Asha, de 27 anos e ex-técnica de laboratório do NHS.

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