Medvedev amplia mandato presidencial na Rússia

Lei não abrange atual presidência, mas garante que Putin permaneça por mais tempo se voltar ao cargo

Agência Estado e Associated Press,

30 de dezembro de 2008 | 15h24

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, assinou uma lei que estende o mandato presidencial no país de quatro anos para seis, segundo informou o Kremlin nesta terça-feira, 30. O movimento é considerado a pavimentação do caminho para que o ex-presidente Vladimir Putin retorne ao governo.  A assinatura da lei por Medvedev segue-se à rápida aprovação pelo Parlamento russo e por todas as 83 câmaras legislativas do país. Se decretada, a mudança na lei não poderá ser aplicada ao governo de Medvedev, que termina em 2012. Putin, que permanece muito popular no país, foi impedido constitucionalmente de tentar um terceiro mandato consecutivo como presidente. Ele conseguiu, no entanto, fazer com que Medvedev, seu sucessor preferido, fosse eleito em março deste ano. Depois disso, Putin se tornou primeiro-ministro e líder do partido Rússia Unida e ainda é visto como um homem poderoso na Rússia. O ex-presidente tem afirmado que a mudança não foi feita para ele e irá impulsionar a democracia. No entanto, a nova lei, elaborada apenas alguns meses depois da eleição de Medvedev, gerou especulações de que seu mandato poderia ser interrompido para permitir que Putin volte ao Kremlin. Alguns analistas dizem que Putin vai precisar agir rapidamente se quiser recuperar força, porque sua popularidade pode ser prejudicada pela crise financeira.  Medvedev pareceu emitir uma crítica velada a seu mentor na segunda-feira, quando disse que o programa contra a crise do governo era "bem equilibrado, mas não ideal". Logo em seguida o presidente baixou o tom da crítica e afirmou que "não existe um programa ideal". No entanto, alguns viram a declaração como um visível racha na união entre os dois políticos. "Medvedev pode esperar até que Putin perca sua popularidade, à medida que a economia piora, e então descartá-lo", afirmou o analista político independente Dmitry Oreshkin ao site do jornal russo Gazeta. Já Igor Bunin, diretor do Centro para Tecnologias Políticas, afirmou que Putin e Medvedev tentarão preservar a aliança entre eles porque seu colapso poderia desqualificar o governo.  Nesta terça-feira, Medvedev também voltou sua atenção para as relações exteriores, mais uma vez expressando esperança de que a Rússia e os Estados Unidos possam reparar os laços rompidos por disputas em relação a planos de defesa norte-americanos e pela guerra na Geórgia, ocorrida em agosto. Em um telegrama de Ano Novo para o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, Medvedev sugeriu que as duas nações podem expandir sua cooperação na base de "pragmatismo e equilíbrio de interesses". Trechos do telegrama foram divulgados pelo Kremlin.

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