Medvedev anuncia ofensiva russa para 'impor a paz' à Geórgia

Geórgia diz que Moscou bombardeou pontos estratégicos e matou 18 pessoas nos arredores da capital do país

EFE e AP

09 de agosto de 2008 | 03h46

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou em Moscou uma nova ofensiva para 'impor a paz' na Geórgia na madrugada deste sábado, 9. Mais cedo, representantes do governo da ex-república soviética informaram que caças russos bombardearam bases militares, navais e oleodutos georgianos. A Rússia invadiu a Geórgia na última sexta em retaliação a um ataque do país a província separatista da Ossétia do Sul, de maioria russa. Tanques russos tomaram Tskhinvali, a capital da região.     Veja também: Ofensiva matou 1.400, diz líder separatista ONU diz que milhares fugiram para a Rússia Entenda o conflito separatista na Geórgia Assista ao vídeo no Youtube  Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito "Nossos pacificadores e as unidades que os apóiam realizam nestes momentos uma operação para impor a paz à parte georgiana. Também respondem da proteção à população", disse o presidente. Medvedev, citado pelas principais agências russas, fez estas declarações ao começo de uma reunião no Kremlin com o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, e o chefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Rússia, Nikolai Makarov. Seguidamente, antes que a imprensa abandonasse a sala, o chefe de Estado pediu um "relatório da situação".A agência oficial russa "Itar-Tass" informou que as tropas russas iniciaram o assalto do povoado georgiano de Tamarasheni, situado a poucos quilômetros ao sul de Tskhinvali. Tamarasheni, uma das quatro localidades que formam o chamado "enclave do norte" georgiano, nunca esteve sob controle dos separatistas da Ossétia do Sul e por ela passa a principal estrada da região.Bombardeio teria matado 18O ministério do Interior da Geórgia acusou a Rússia de bombardear instalações estratégicas nos arredores de Tblisi, a capital da ex-república soviética.  De acordo com o porta-voz Shota Utiashvili, as bombas caíram no oleoduto que liga a capital às cidades de Ceyhan e Baku. O porto de Poti, no Mar Negro, também sofreu danos. O representante do governo georgiano ainda afirmou que há um número significativos de baixas e danos materiais no ataque.  Segundo fontes georgianas, pelo menos seis pessoas morreram sob as bombas no porto de Poti. Outras 12 tombaram em Senaki, onde, além disso, ficaram feridos 14 militares e reservistas.Troca de acusações Na sexta-feira, O primeiro-ministro russo Vladimir Putin declarou que "a guerra começou", enquanto o presidente georgiano Mikhail Saakashvili acusava Moscou de uma "invasão bem planejada", segundo o jornal The New York Times.Segundo Saakashvili, 30 pessoas morreram no ataque russo. "As forças armadas russas estão bombardeando Tskhinvali com tanques e aviões,", disse o porta-voz do governo georgiano. "Nós perdemos o controle de partes da cidade", acrescentou. Por sua vez, o presidente da região separatista, Eduard Kokoity, informou que cerca de 1.400 pessoas morreram devido à "agressão georgiana". "Nós vamos checar esses números, mas eles estão por volta disso. Nós temos essa informação com base nos relatos de parentes", disse, segundo a agência Interfax.Em entrevista à CNN, Saakashvili condenou as ações russas. "Estamos nessa situação de legítima defesa contra um vizinho grande e poderoso. Somos um país com menos de 5 milhões de pessoas e, certamente, nossas forças são incomparáveis (com as da Rússia)", disse o presidente. Saakashvili também afirmou que é do interesse dos Estados Unidos ajudar a Geórgia. "Não é mais sobre a Geórgia. É sobre a América, são valores", disse ele. "Somos uma nação que ama a liberdade e que agora está sob ataque." RepercussãoOs Estados Unidos pediram um cessar-fogo imediato no conflito. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, conversou com representantes das partes envolvidas e está trabalhando para encerrar o impasse, disse Gonzalo Gallegos, porta-voz da chancelaria americana."Nós apoiamos a integridade territorial da Geórgia", continuou o porta-voz. "Estamos trabalhando nos esforços de mediação para garantir um cessar-fogo."Rice pediu que a Rússia "respeite a integridade territorial da Geórgia e retire suas tropas do solo georgiano", em um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.Gallegos informou também que os EUA enviariam ainda nesta sexta-feira um emissário à região para discutir a situação com as partes em conflito e buscar o encerramento das hostilidades. A França, que ocupa a presidência rotativa da União Européia, também deve mandar uma delegação à região, em conjunto com a iniciativa americana, segundo uma fonte diplomática em Washington.O Pentágono disse que está monitorando os acontecimentos na Geórgia, mas não recebeu um pedido de assistência das autoridades georgianas desde que as forças russas adentraram o país. "Estamos monitorando (a situação) de perto", disse a repórteres Bryan Whitman, porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. "Tivemos algum contato com as autoridades georgianas", acrescentou Whitman. Perguntado se houve um pedido de ajuda, ele respondeu que "não."

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