Medvedev assume a Presidência russa sob a sombra de Putin

Primeiro ato do novo presidente foi indicar o seu mentor, Vladimir Putin, ao cargo de primeiro-ministro do país

Agências internacionais,

07 de maio de 2008 | 06h30

Com passo firme e semblante sério,  Dmitri Medvedev assumiu nesta quarta-feira, 7, a Presidência da Rússia em uma cerimônia solene celebrada no Kremlin. Medvedev, porém, Mas terá de dividir a cena com Vladimir Putin, que deixa a chefia de Estado após oito anos, mas assume na quinta-feira, 8, a chefia de governo. Momentos após a posse, o presidente propôs formalmente a candidatura de Putin ao cargo de primeiro ministro.   Impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato presidencial, mas sem nenhuma intenção de abrir mão do controle do país, Putin orquestrou nos últimos meses uma série de medidas para garantir que ele continuará dando as cartas na Rússia. Medvedev, que chega ao cargo pela própria escolha de Putin, coloca fim oficialmente aos 8 anos de governo do seu mentor. Aliado leal de Putin e sem base política forte, o advogado de 42 anos, eleito presidente em março, é visto como o sucessor ideal do líder russo. Para analistas, a expectativa é de que Medvedev cumpra seu mandato sem grandes mudanças de política, permitindo que Putin volte a candidatar-se em 2012.   Em seu primeiro pronunciamento como presidente russo, Medvedev disse que considera como "importantíssima tarefa" o "desenvolvimento das liberdades cívicas e econômicas", e estipulou como objetivo transformar seu país em "um dos melhores de mundo". Com a mão direita sobre um exemplar da Carta Magna, Medvedev jurou ainda defender a Constituição e os direitos dos cidadãos russos.   Durante a cerimônia de posse, Putin fez um curto discurso, descrevendo a passagem do cargo como "um estágio enormemente importante" para a Rússia. Ele também pediu que Medvedev mantenha as políticas que ele vinha implementando nos últimos oito anos, dizendo que elas se provaram "corretas". O novo presidente agradeceu a Putin pelo apoio pessoal, dizendo esperar que ele também pudesse desfrutar de apoio semelhante no futuro.   O golpe de mestre de Putin foi a decisão de ocupar o cargo de primeiro-ministro. O líder russo garantiu várias vezes que não fará mudanças na divisão de poderes entre o presidente - que é quem fixa os rumos da política externa, possui os códigos nucleares e escolhe os ministros de Defesa e Interior e o chefe do serviço secreto - e o premiê. Putin, no entanto, já adotou algumas medidas para ter maior autonomia em seu futuro cargo.   No dia 28, Putin baixou um decreto estabelecendo que os enviados regionais do Kremlin passarão a prestar contas ao premiê e não ao presidente. O cargo de enviado foi criado pelo próprio Putin, e seus escolhidos detêm grande influência sobre os governos regionais. Agora, caberá ao primeiro-ministro redigir o relatório anual sobre a atuação de cada governador.   Com o controle de dois terços das cadeiras do Parlamento, o Rússia Unida tem votos suficientes para uma eventual reforma da Constituição. Na semana passada, a cúpula do partido apresentou um projeto de lei que prevê a redistribuição de uma série de tarefas burocráticas da chefia de governo para os vários ministérios. Com isso, o premiê poderia concentrar-se basicamente em "questões estratégicas".

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