Associated Press
Associated Press

Medvedev critica legado soviético e quer modernizar economia

Em discurso anual, presidente propôs mudanças nos sistemas político, econômico e mudança no fuso horário

Ricardo Gozzi, Agência Estado

12 Novembro 2009 | 12h04

A Rússia precisa ir além do legado industrial da União Soviética e desenvolver uma economia moderna, voltada pra a alta tecnologia, para sobreviver, disse o presidente Dmitri Medvedev em seu discurso anual sobre o Estado da União nesta quinta-feira, 12. Ele observou que a Rússia continua extremamente dependente da base industrial soviética e das receitas com as exportações de gás e petróleo. "O prestígio e o bem-estar da nação não podem depender para sempre das conquistas do passado", afirmou.

 

O líder russo ordenou também uma abrangente modernização dos obsoletos arsenais militares soviéticos e defendeu uma política externa destinada à atração de investimentos estrangeiros e à melhora do padrão de vida da população russa.

 

Os planos de Medvedev, que têm como objetivo reduzir a participação do governo na economia, teria como alvo as "corporações estatais" a ele legadas por seu antecessor, o hoje primeiro-ministro Vladimir Putin, avalia a agência Dow Jones. Calcula-se que o Estado russo controle cerca de 40% da economia do país.

 

"Não devemos estufar nosso peito", declarou Medvedev em um enfeitado salão do Kremlin perante parlamentares e funcionários do alto escalão do governo, segundo relato da Associated Press. "Estamos interessados em fluxo de capitais, novas tecnologias e ideias modernas."

 

Segundo o presidente russo, os anos de alta nos preços do petróleo criaram a ilusão de que as reformas estruturais das quais o país necessita poderiam esperar um pouco mais. "Nós não podemos esperar mais", enfatizou. "Precisamos lançar a modernização e a renovação de toda a base industrial. A sobrevivência de nossa nação no mundo moderno dependerá disso". Para Medvedev, a Rússia precisa concentrar-se em campos inovadores, inclusive na pesquisa de novos reatores nucleares e de tecnologias espaciais e pensar em se preparar para voos a outros planetas.

 

Medvedev afirmou também, segundo destacou a agência Lusa, que a modernização da Rússia no século 21 se baseará nos valores e institutos da democracia. "No século 21, nosso país necessita novamente de uma modernização multilateral e esta será a primeira experiência de modernização, na nossa história, baseada nos valores e institutos da democracia", explicou o dirigente russo. "A sociedade arcaica", prosseguiu Medvedev, "em que os chefes pensam e decidem por todos, deve ser substituída por uma sociedade de pessoas inteligentes, livres e responsáveis".

 

Medvedev defendeu ainda que a política externa russa seja mais pragmática, em vez de apegada a "ações caóticas guiadas por nostalgia e preconceito". "Sua eficácia deve ser determinada por um critério simples: se está ajudando ou não a melhorar o padrão de vida", declarou o presidente.

 

O chefe de Estado russo também observou que a crise econômica atingiu seu país com mais intensidade do que outros, mas recusou-se a jogar a culpa nos Estados Unidos, ao contrário do que fez Putin recentemente. "Não devemos buscar um culpado no exterior", declarou. "Nós não fizemos o bastante", admitiu. Ainda segundo Medvedev, o governo deveria ajudar somente as empresas que tenham planos de tornarem-se mais eficientes. Ao longo do último ano, a Rússia destinou mais de 1 trilhão de rublos (US$ 34,8 bilhões) para sustentar pouco mais de uma dezena de indústrias com problemas financeiros.

 

Armas e segurança

 

Medvedev também revelou planos de fornecer mais de 30 mísseis nucleares e outros investimentos às Forças Armadas russas em 2010. "Ano que vem teremos mais de 30 mísseis baseados em terra e no mar, cinco sistemas de mísseis Isknder, cerca de 300 veículos encouraçados, 30 helicópteros, 28 aviões, três submarinos nucleares, uma corveta e 11 satélites espaciais", detalhou o presidente.

 

O mandatário também pediu às outras nações europeias que se unam em favor de um novo tratado de segurança para o continente. "Precisamos tomar decisões sérias sobre a segurança na Europa. Se tivéssemos um órgão eficiente para combater agressores, a Geórgia não cometeria a imprudência de investir contra o povo da Ossétia do Sul", concluiu Medveded.

 

Fusos horários

 

Medvedev ainda propôs a redução do número de fusos horários para aumentar a eficiência da economia. O país, o maior do mundo, tem 11 fusos em toda a sua extensão. O presidente não deu detalhes de como a mudança será feita, mas especialistas propuseram a criação de quatro horários. A alteração pode reduzir a diferença de sete horas entre Moscou e o porto de Vladivostok para apenas quatro horas.

 

(Com Reuters e Efe)

Mais conteúdo sobre:
Rússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.