Medvedev diz que G8 precisa fazer do rublo uma moeda de reserva

A Rússia quer que o G8 entre em acordo para fazer do rublo uma moeda de reserva e também para criar uma nova moeda global no encontro do grupo em julho, afirmou neste sábado o presidente russo, Dmitry Medvedev.

DENIS DYOMKIN, REUTERS

16 de maio de 2009 | 12h11

Ele disse que a Rússia quer estabelecer uma arquitetura financeira mundial mais justa para tomar conta das mudanças na economia global e no sistema financeiro internacional, que funciona desde o acordo de Bretton Woods, em 1944, quando nasceu o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Não estamos falando sobre romper completamente com os acordos de Bretton Woods e criar algo novo em um dia, mas devemos pensar sobre como o sistema financeiro internacional pode se tornar mais justo", afirmou Medvedev em uma coletiva de imprensa após encontro com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

A Itália abrigará o encontro de julho do G8.

O líder russo afirmou que o atual sistema financeiro global foi construído baseado em apenas uma moeda, o dólar, e reafirmou as propostas que Moscou apresentou sobre a crise global na conferência do G20, em Londres, em abril.

"Devemos fortalecer o sistema e criar uma moeda de reserva (global), e não estamos desistindo do objetivo de dar ao rublo o status de moeda de reserva", afirmou Medvedev.

Igualmente, a Rússia quer um acordo na criação de uma nova moeda de reserva supranacional, pois "precisamos sair da crise financeira global como vencedores", disse.

O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU

Berlusconi afirmou que o pior da crise global já passou. "Estou certo de que superamos o pior momento da crise e veremos uma melhoria em um futuro próximo", avaliou o premiê italiano em uma coletiva de imprensa, falando por meio de um intérprete.

Moscou e Washington prometeram "restaurar" sua turbulenta relação bilateral, que tem sido prejudicada devido a discordâncias sobre sistemas antimísseis, a guerra dos Estados Unidos no Iraque, a expansão da Otan e a política em relação ao Irã.

Medvedev afirmou que está otimista de que a primeira visita do presidente norte-americano, Barack Obama, à Rússia, no começo de julho, permitirá que os dois lados superem alguns desentendimentos e coloquem a relação entre os países em um outro patamar.

"Após a mudança de administração (em Washington), algo mudou...", afirmou. "Sentimos uma mudança no tom do diálogo. O mais importante...é o desejo e a oportunidade de um ouvir os argumentos do outro e não apenas dar receitas (de como agir)."

Medvedev disse que discutirá com Obama, durante o encontro, os exercícios da Otan na vizinha Geórgia. A Rússia criticou severamente a ação na ex-república soviética e Medvedev a atacou novamente neste sábado.

"Não podemos nada além do que nos preocupar com os exercícios da Otan na Geórgia", afirmou o presidente a repórteres. "Ele criaram tensão... Eu acho que não acrescentam nada à segurança da Europa."

Moscou e Roma têm boa relação e Medvedev agradeceu a Berlusconi pelo apoio da Itália à Rússia após a breve guerra contra a Geórgia, em agosto passado, pela região separatista da Ossétia do Sul.

Berlusconi se juntou ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, na sexta-feira, para testemunhar a assinatura de uma série de compromissos para o mais importante gasoduto russo no sudeste europeu.

Alguns países europeus acreditam que a tubulação aumentará a dependência do continente em relação ao gás russo e preferiam um gasoduto alternativo, o Nabucco, que sairia da região do Mar Cáspio via Turquia até a Áustria, ignorando a Rússia.

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