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Medvedev: leal a Putin e com discurso liberal

Advogado de 42 anos, Dmitri Medvedev, representa continuidade do governo Putin

Efe

02 de março de 2008 | 22h17

Sua provada lealdade a Vladimir Putin e um discurso de viés liberal andam juntos em Dmitri Medvedev - o novo presidente russo, segundo os primeiros resultados oficiais das eleições desse domingo, 2. Ninguém na Rússia questiona a fidelidade a Putin deste advogado de 42 anos e ex-professor de Direito Romano, a quem o atual chefe do Kremlin elegeu para garantir a sobrevivência de seu legado. Ambos se graduaram em Direito na Universidade de São Petersburgo e trabalharam juntos na Prefeitura da segunda cidade russa entre 1990 e 1996. Em 1999, Putin, já à frente do Governo, convidou-o para liderar o aparelho administrativo do Gabinete de Ministros, cargo chave no Executivo russo. Um dos primeiros decretos de Putin, após assumir a Presidência interina no dia 31 de dezembro de 1999, foi nomear Medvedev chefe adjunto do Gabinete da Presidência. Pouco depois, lhe confiaria a direção de sua campanha próxima das eleições presidenciais extraordinárias convocadas após a renúncia de Boris Yeltsin. "Se me confia o exercício da chefia do Estado, comprometo continuar o rumo que já demonstrou sua eficácia, o rumo do presidente Putin", declarou Medvedev, que logo após ser promovido como candidato em dezembro passado ofereceu o cargo de primeiro-ministro ao próprio Putin, proposta que este aceitou com satisfação. Durante os oito anos de mandato de Putin, assumiu postos como o de chefe do Gabinete da Presidência (2003) ou o de vice-primeiro-ministro (2005) a cargo dos projetos nacionais (Educação, Habitação, Saúde e Demografia e Agricultura). Desde 2000, preside o consórcio Gazprom, o maior consórcio mundial de gás e principal alavanca da agressiva política energética do Kremlin no mundo. O profundo pragmatismo é a característica que todos, superiores e subalternos, destacam em Medvedev. Em aberta dissonância com seu discurso liberal e suas chamadas à modernização, o candidato do governo descartou reformas no sistema político presidencialista personificado por Putin, que marginalizou a oposição e reduziu as funções do Legislativo à mera aprovação das leis elaboradas pelo Kremlin. No entanto, seus comentários sobre a "imperiosa necessidade" de implantar a liberdade na Rússia despertaram certas esperanças entre os liberais mais crédulos. "A liberdade é melhor que a falta de liberdade. A liberdade em todas suas manifestações: pessoal, econômica e de expressão", proclamou durante sua campanha. Também defende uma maior abertura aos investimentos estrangeiros, o respeito à propriedade privada e a melhora da previdência. O tecnocrata Medvedev prometeu diversificar a economia e previu a futura privatização de empresas estratégicas e a substituição dos funcionários à frente das grandes corporações por gerentes independentes. Embora quase não tenha se pronunciado sobre política externa, nada faz prever mudanças na ferrenha oposição de Moscou ao desdobramento do escudo antimísseis americano na Europa, à independência do Kosovo ou à ampliação da Otan. No social, insiste no imperativo da "responsabilidade individual" do cidadão ou, dito de outra forma, advoga por acabar com o tradicional paternalismo que caracterizou na URSS e na Rússia as relações do Estado e do cidadão. Inclusive não hesitou em admitir em plena campanha que deve subir os preços do gás até os níveis mundiais. A corrupção é, para ele, "a mais grave doença" que aflige a sociedade russa e pretende lançar todo um plano de luta contra este mal, mas, sobretudo, quer combater "o flagrante desprezo da lei", que ele define como "niilismo jurídico". A imagem de "bom menino" de Medvedev contrasta com a dos outros dois presidentes da história da Federação Russa: o judoca e ex-agente da KGB de Putin, e o falecido Boris Yeltsin, o "exterminador" do comunismo e conhecido por seu vício com a bebida. Entre seus "vícios", ele só confessa internet e o rock pesado, especialmente do grupo britânico Deep Purple -"Smoke on the water" é sua canção preferida. Ele foi fotografado recentemente no Kremlin com os integrantes da banda. Não foi batizado pela igreja ortodoxa até 1989, quando as reformas do último dirigente soviético, Mikhail Gorbachev, tiraram todo o risco à prática religiosa.É casado com Svetlana, seu primeiro amor desde os tempos da escola e mãe de seu filho, Ilya, de 11 anos.

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