Medvedev quer acordo 'sério' com União Européia

A Rússia busca um pacto "sério" com aUnião Européia que reafirme o país como parte da Europa, disseà Reuters o presidente russo, Dmitry Medvedev, antes do inícioda cúpula UE-Rússia na Sibéria. No encontro, que começa na quinta-feira na cidade deKhanty-Mansiysk, está previsto o lançamento das conversaçõesadiadas há tempos sobre um acordo de cooperação nas relaçõesentre a Rússia e o bloco europeu. "Tem de ser um documento sério, mas ao mesmo tempo nãosobrecarregado com coisas muito concretas", disse Medvedev àReuters, em sua primeira entrevista a um órgão de imprensaocidental desde que assumiu o poder, em maio. A Rússia quer um pacto conciso, formal seguido por umasucessão de acordos mais detalhados para que se evite quequestões de comércio e negócios sejam afetadas por disputaspolíticas, disse o conselheiro de política externa de Medvedev,Sergei Prikhodko. Medvedev vai reunir-se com as autoridades da UE apenas setesemanas depois de receber o poder de seu antecessor e aliado,Vladimir Putin, que presidiu a Rússia por oito anos, durante omaior boom econômico do país em uma geração. A maneira agressiva de Putin de reafirmar a posiçãoeconômica e política da Rússia na Europa e em outras partes domundo, e de limitar a influência ocidental no país, prejudicouas relações com muitos membros da UE, entre os quais ex-aliadossoviéticos. Medvedev, que se comprometeu a dar continuidade à políticade Putin, mostrou uma posição de menos confronto com a Europa. "Em termos de prioridades para o relacionamento entre aRússia e a União Européia --este é um relacionamento entre aFederação Russa, um grande Estado europeu que se define e seconduz como parte da Europa, e a União Européia", disse ele àReuters. Autoridades da UE disseram gostar do tom mais suave do novohomem no Kremlin, mas querem ver se isso se traduz em genuínamudança. "Vemos sinais encorajadores, mas obviamente é um novopresidente em uma nova posição, com suas ambições, e nós temosde descobrir como ele pretende pôr em prática esses objetivos",disse um funcionário de alto escalão da UE, falando sobcondição de manter o anonimato.

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