Medvedev tem vitória esmagadora em eleições presidenciais

Candidato do Kremlin vence com plataforma continuísta e lealdade a Putin

Efe

02 de março de 2008 | 22h42

O virtual presidente eleito nas eleições russas neste domingo, 2, Dmitri Medvedev, agradeceu aos eleitores de todo o país pela vitória no pleito e se comprometeu em dar continuidade da política de Vladimir Putin. Pesquisas de boca-de-urna apontavam que o candidato do Kremlin venceu de forma arrasadora, como estava previsto, as eleições presidenciais russas, segundo também confirmam os primeiros resultados oficiais divulgados pela Comissão Eleitoral Central da Rússia (CEC).  O vice primeiro-ministro Medvedev, de 42 anos, obteve 68,65%, com 59% das urnas já apuradas.O que indica que está na frente de seus três adversários na primeira rodada eleitoral, informou a Comissão Eleitoral Central (CEC). A participação representa em torno de 67% do eleitorado, de quase 109 milhões de cidadãos, informou o presidente da CEC, Vladimir Churov. Os resultados "são fruto da situação sócio-econômica atingida no país e da dupla Medvedev-Putin", afirmou Sergei Sobianin, chefe do Gabinete da Presidência e dirigente da campanha eleitoral do candidato do Kremlin. Putin parabenizou pessoalmente seu sucessor pelo desempenho nas eleições, em um concerto ao ar livre que reuniu mais de 20 mil jovens em frente a Praça Vermelha."Nosso candidato, Dmitry Anatolyevich Medvedev, assumiu uma liderança firme", disse Putin em seu discurso no concerto, que celebrou a obra da Catedral de São Basílio, a uns metros de Kremlin. "Cumprimento Dmitry Anatolyevich e lhe desejo sucesso. Essa vitória traz muitas obrigações. Ela vai servir como garantia de que o curso que escolhemos, o curso bem sucedido que vimos seguindo pelos últimos anos, será mantido", afirmou Putin. As TVs transmitiam o concerto ao vivo e mostraram a imagem de Putin e Medvedev cruzando juntos, sem escolta, a Praça Vermelha completamente deserta e debaixo de muita neve.  "Nós vamos aumentar a estabilidade, melhorar a qualidade de vida e avançar na via que escolhemos. Seremos capazes de preservar a via do presidente Putin", disse Medvedev durante o comício na Praça Vermelha. Em sua primeira entrevista coletiva após a jornada eleitoral Dmitri Medvedev confirmou que o presidente em fim de mandato, Vladimir Putin, será o primeiro-ministro de seu futuro governo. Disse ainda, que nos dois meses que faltam para sua posse, que ocorrerá no dia 7 de maio, se dedicará a "delinear a estrutura do futuro poder executivo", contando com a colaboração de Putin. Medvedev assinalou que a Rússia durante sua presidência não abandonará suas posições em assuntos como Kosovo e planos de Washington para um escudo de mísseis no leste europeu. "Nós devemos seguir uma política externa independente, as que tivemos nos últimos oito anos, com o objetivo principal de proteger os interesses de nossa nação em todas as frentes por todos os meios, mas claro que seguindo todas as normas legais," disse Medvedev. Em um sinal de que a Rússia não estará suavizando suas políticas exteriores assertivas, a gigante estatal do gás, Gazprom, está se preparando para reduzir os suprimentos fornecidos para a vizinha Ucrânia a partir dessa segunda-feira, 3, após consolidados os resultados das eleições.  Oposição No entanto, os opositores Zyuganov e Yirinovski anunciaram que pretendem impugnar os resultados oficiais, ao contrário de Bogdanov, que afirmou que a votação foi "democrática". "Já tenho preparada uma lista de 200 violações", assegurou Zyuganov em sua primeira reação ao anúncio dos resultados preliminares. Zyuganov disse que, segundo os dados em seu poder, o voto comunista foi de "pelo menos 30%", e por isso "os resultados preliminares confirmam as irregularidades". Segundo ele, na Rússia "não há eleição, mas uma mera ratificação do presidente designado", em alusão ao favorito Medvedev. Às vésperas das eleições, o chefe da missão da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, expressou suas dúvidas de que o pleito pudesse ser "limpo e democrático", devido à marginalização dos candidatos opositores. "Hoje se conclui a operação de transferência ilegal do poder" de Putin a seu herdeiro, denunciou o ex-primeiro-ministro Mikhail Kasianov, teve seu registro como candidato nas eleições presidenciais russas negado pela CEC por irregularidades em sua documentação. A jornada eleitoral transcorreu sem grandes contratempos, com um único incidente registrado na República do Daguestão, vizinha à Chechênia, onde duas explosões causaram ferimentos a dois policiais. "O ânimo é excelente. Chegou a primavera e, embora chova, (o tempo) está agradável. Mudou a estação", disse um sorridente Medvedev em declarações feitas na boca-de-urna.

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