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Mensagem de atirador em chat pode ser falsa, diz polícia alemã

Declaração contradiz anúncio anterior, no qual autoridades asseguraram veracidade do bate-papo com jovem

Agências internacionais,

12 de março de 2009 | 18h38

A polícia alemã anunciou nesta quinta-feira, 12, que há dúvidas sobre a autenticidade de uma mensagem publicada em uma sala de bate-papo online atribuída ao atirador adolescente que matou 15 em um ataque contra uma escola. O porta-voz Klaus Hinderer afirmou que a mensagem pode ser falsa, contradizendo um anúncio do secretário de Interior (Segurança) de Baden-Württemberg, Heribert Recht, que disse mais cedo que as autoridaes estavam "completamente convencidas" de sua veracidade.

 

Seis horas antes do incidente, Tim Kretschmer, 17 anos, teria escrito "estou farto desta vida" e "ninguém reconhece o meu potencial" no chat, advertindo ainda para que todos ficassem atentos ao que aconteceria em Winnenden. Na mensagem inicialmente atribuída ao rapaz, o autor afirmava ter armas e anunciava a intenção de ir a sua ex-escola "fazer uma boa churrascada."

  

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Em entrevista coletiva, Recht descreveu o atirador como um jovem que gostava de games violentos, que já tinha sido tratado de depressão e que se sentia rejeitado por seus colegas. O porta-voz da polícia disse que uma busca no computador de Kretschmer mostra não haver indícios de que o jovem seja o responsável pelo que foi publicado na sala de bate-papo.

 

Um homem da Baviera contou à polícia sobre a conversa depois do ataque em Winnenden. Ele disse às autoridades que seu filho de 17 anos contou a ele sobre o que ocorrera na sala de bate-papo depois de ver as notícias e que não havia considerado a ameaça com seriedade. O investigador Siegfried Mahler afirmou que as autoridades souberam que o suspeito foi tratado de depressão em 2008, tendo

passado por cinco visitas ao psiquiatra entre abril e setembro numa clínica da região. Ele deveria ter continuado o tratamento em outra clínica, mas aparentemente não compareceu às consultas, disse Mahler.

CÓDIGO

 

Apesar do grande número de mortos, o ataque poderia ter sido pior se o diretor da escola secundária não tivesse conseguido avisar os professores com um código anteriormente combinado no sistema de comunicação quando o suspeito entrou na escola. Depois que o adolescente chegou à escola e abriu fogo, o diretor transmitiu a mensagem em código para os professores. "Então, nosso professor fechou a porta e disse que deveríamos fechar as janelas e nos sentarmos no chão", disse uma estudante, identificada como Kim, à emissora de televisão ZDF.

Hetger afirmou que o código de alerta foi estabelecido por educadores alemães depois do ataque em Erfurt em 2002 como uma forma de alertar os professores. Ele também informou que a polícia de Baden-Wuerttemburg havia recebido treinamento especial que envolvia o envio de pequenos grupos para o prédio no caso de um ataque a uma escola, como aconteceu na quarta-feira. Segundo Hetger, esse treinamento, além da advertência do diretor, evitou mais mortes.

O adolescente de cabelos escuros, que usava óculos de acordo com as fotografias mostradas na televisão, aparentemente pegou a arma, além de uma "grande quantidade da munição" da coleção de 15 armas de fogo do pai, informou a polícia. Seu pai, um homem de negócios, era membro do clube local de tiro e mantinha as armas em local fechado, exceto uma pistola, mantida no quarto.

Quando os primeiros esquadrões da polícia chegaram alguns minutos após o começo do ataque na escola, eles imediatamente invadiram o prédio, sob o fogo de Kretschmer. Eles subiram as escadas e o matador fugiu, disse Hetger.

 

"Nós sabemos, por experiência própria em outros tiroteios em escolas, que os agressores só param quando ficam sem munição, quando se sentem ameaçados pela polícia ou quando tiram as próprias vidas", continuou. "Esse atirador tinha mais de 250 balas de munição quando entrou na escola."

A escola de ensino estava fechada nesta quinta-feira e continua isolada enquanto os investigadores examinam o prédio. Várias pessoas deixaram velas acesas no local, em meio a flores e mensagens. O governo ordenou que todos os prédios federais deixem suas bandeiras a meio pau e escolas em todo o país lembraram as vítimas em silêncio.

 

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