Mensagem revela que finlandês planejava massacre desde 2002

Em nota, Matti Juhani Saari dizia que 'odiava raça humana'; ele matou 10 estudantes e se suicidou nesta terça

Agências internacionais,

23 de setembro de 2008 | 16h55

A polícia da Finlândia anunciou que o atirador que matou 10 alunos em uma escola da Finlândia nesta terça-feira, 23, e depois se suicidou deixou duas mensagem escritas a mão nas quais ele dizia que havia planejado o ataque desde 2002 e que "odiava a raça humana". O autor dos disparos foi identificado como Matti Juhani Saari, que morreu poucas horas depois de cometer o massacre.   Veja também: Cronologia dos ataques contra escolas Veja as imagens do atirador  Assista ao vídeo feito pelo atirador na internet    O jovem havia colocado um vídeo na internet na semana passada em que aparecia dando tiros com uma pistola. Depois de realizar alguns disparos, o atirador aparece dizendo "vocês vão morrer em seguida". A polícia chegou a interrogá-lo por causa das imagens, mas concluiu que não havia motivos para revogar sua licença de posse de arma.   O tiroteio na escola de Kauhajoki, cerca de 330 quilômetros ao norte da capital, Helsinki, começou pouco antes de 11h da manhã (hora local, 5h em Brasília). Acredita-se que cerca de 200 estudantes estavam no local na hora do incidente.   O atirador, vestido de preto e usando uma máscara de esqui, foi visto entrando no edifício carregando uma bolsa. Os tiros foram disparados pouco depois. "Em um curto espaço de tempo, ouvi dezenas de tiros sendo disparados - em outras palavras, era uma arma automática", disse o zelador da escola Jukka Forsberg a uma emissora de televisão finlandesa. "Eu vi algumas estudantes que estavam gritando e chorando, e uma delas conseguiu escapar pelas portas dos fundos."   Saari, que estudava artes e culinária, tinha interesse por computadores, armas, sexo, cerveja e filmes de horror e listava entre seus vídeos favoritos clipes do ataque à escola Columbine, ocorrido no Estado americano do Colorado em 1999 e que deixou 13 mortos.   A ministra do interior finlandesa, Anne Holmlund, disse que uma investigação já foi iniciada para apurar se a polícia errou na forma como procedeu após o ataque ou se deveria ter reagido de forma diferente ao vídeo que o atirador colocou na internet antes de matar as pessoas.   O primeiro-ministro Matti Vanhanen descreveu o episódio como um "dia trágico" para a Finlândia. "Nós todos, como sociedade, devemos estar unidos de forma a evitar que eventos como esses não se repitam", disse.   Em novembro de 2007, oito pessoas morreram em outro ataque semelhante em uma escola na cidade finlandesa de Tuusula. Na ocasião, o atirador Pekka-Eric Auvinen colocou um vídeo no site YouTube com uma espécie de prévia macabra do que estava por vir, prometendo "eliminar" todos aqueles que descrevia como "despreparados".   Por conta do ataque de Auvinen, o governo da Finlândia prometeu levantar a idade mínima para a compra de armas. O país tem uma longa tradição de caça e posse de armas. Há cerca de 1,6 milhão de armas de propriedade privada no país, uma das maiores incidências de posse do mundo.   (Com BBC Brasil)

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