'Mercador da Morte' nega que seja traficante de armas

Homem que inspirou o filme 'O Senhor das Armas' tenta lutar contra extradição pedida pelos Estados Unidos

Efe e Associated Press,

22 de dezembro de 2008 | 12h16

O suposto traficante de armas de origem russa Viktor Bout, apelidado de "Mercador da Morte", testemunhou nesta segunda-feira, 22, pela primeira vez perante o tribunal tailandês que julga sua extradição aos Estados Unidos e negou todas as acusações atribuídas pela Justiça. "Não fiz nada de ruim na Tailândia. Jamais estive na Colômbia ou nos EUA", declarou Bout, de 41 anos e que sempre insistiu em sua inocência, informaram fontes judiciais. Ele negou ainda ter vendido armas para os rebeldes colombianos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Se for declarado culpado, Bout vai enfrentar uma possível pena de prisão perpétua nos EUA. A defesa insiste em que o julgamento é uma operação política do governo colombiano para debilitar as Farc e afirma que Washington não tem competência sobre as atividades do "Mercador da Morte" em outro país. Inicialmente, ia a ser julgado na Tailândia por um delito de apoio ao terrorismo, que se castiga com um máximo de dez anos de prisão, mas a Promotoria retirou as acusações por falta de provas. Os EUA pediram a extradição de Bout, que foi detido em Bangcoc durante uma operação em que agentes americanos se fizeram passar por rebeldes das Farc. "Nunca me reuni ou falei com ninguém das Farc", afirmou o "Mercador da Morte". A vida de Bout inspirou o filme de Hollywood O Senhor das Armas, cujo protagonista é Nicolas Cage, se dedicou a vender armamento a nações em conflito como Serra Leoa, Angola ou a República Democrática do Congo após o colapso da União Soviética. Um relatório da Anistia Internacional de 2005 também o implica em redes de tráfico de armas na Bulgária, Moldávia e Ucrânia, entre outros países.  Questionado sobre sua linha de negócios, Bout respondeu que trabalha com "aviação e construção" e que teria viajado para a Tailândia para encontrar em empresário que pretendia "comprar aviões". "Não cometi nenhum ato terrorista", afirmou. "Os EUA tentam usar isso para encobrir seus problemas internos e impedir as boas relações entre a Tailândia e a Rússia", assegurou durante depoimento.

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