Mergulhadores russos encontram várias crianças mortas em navio

Mergulhadores encontraram os corpos de cerca de 50 pessoas, muitas delas crianças, ao vasculharem a embarcação turística que afundou no domingo no rio Volga, na Rússia, disse nesta terça-feira o Ministério de Emergências.

GENNADY NOVIK E NIKOLAI ISAYEV, REUTERS

12 de julho de 2011 | 12h21

A notícia aumenta a angústia suscitada no país por um desastre que devastou famílias, com até 129 pessoas mortas, e destacou preocupações com a negligência, a corrupção e o corte de investimentos em áreas nas quais não se deve economizar, fatores problemáticos na Rússia.

A contagem oficial de mortos subiu para 83, incluindo 16 crianças.

O presidente Dmitry Medvedev, que pode candidatar-se à reeleição em março, prometeu punir com dureza as pessoas que violam as normas de segurança nos transportes e disse que são necessárias leis mais rígidas.

O Bulgaria, um navio fluvial velho e superlotado que fazia um cruzeiro no rio Volga no fim de semana, afundou em questão de minutos quando estava a três quilômetros da margem, depois de inclinar-se para o lado direito durante uma tempestade. As autoridades disseram que, das 208 pessoas que estavam a bordo, 79 foram resgatadas.

Um dos sobreviventes disse que o barco, construído em 1955, converteu-se rapidamente em um "caixão de metal" depois de sofrer dificuldades com o tempo.

Uma porta-voz do Ministério das Emergências, Yelena Smirnykh, disse que mergulhadores que percorreram o barco naufragado viram os corpos quando chegaram à área de recreação, onde, segundo sobreviventes, cerca de 30 crianças tinham se reunido pouco antes de o barco afundar.

"Pelas estimativas visuais que fizeram, os corpos de cerca de 50 pessoas estão lá, em sua maioria crianças", disse Smirnykh à Reuters.

Ela disse que psicólogos enviados para ajudar familiares de luto também estão prestando ajuda a alguns dos mergulhadores.

Os serviços de emergência disseram que a embarcação tinha capacidade para até 140 pessoas, mas estava levando 208, das quais 25 eram passageiros não registrados. A maioria dos sobreviventes foi resgatada por um barco que passava pela região, depois de duas embarcações comerciais terem passado sem prestar ajuda.

Promotores disseram que o barco não possuía licença para levar passageiros e que apresentava um problema no motor esquerdo quando zarpou para Kazan, capital da região do Tatarstão, depois de receber passageiros em uma cidade rio abaixo no sábado.

Os promotores abriram uma investigação criminal sobre o diretor da empresa que arrendou o barco, a Agrorechtur, e um inspetor de transportes fluviais, informou a agência de notícias estatal RIA.

O presidente Medvedev declarou um dia nacional de luto, com bandeiras hasteadas a meio-pau e comerciais e programas de entretenimento na televisão sendo restritos.

Alguns dos familiares de vítimas foram levados ao rio de barco e deixaram coroas de flores na água.

O Comitê Investigativo Federal disse que confiscou documentos da empresa proprietária do barco. O porta-voz Vladimir Markin disse que a investigação vai estudar a razão pela qual o barco estava inclinado para a direita quando deixou o porto.

(Reportagem adicional de Tatiana Ustinova e Thomas Grove em Moscou)

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