Merkel, a mulher mais poderosa do mundo, tenta 2º mandato

Primeira mulher a governar o país, filha da Alemanha Oriental conquista eleitores com estilo discreto

Agência Estado, Associated Press e O Estado de S. Paulo,

27 de setembro de 2009 | 09h00

Uma década atrás, Angela Merkel era conhecida pelos alemães principalmente por seu feio corte de cabelo, que fazia com que ela fosse alvo de piadas. Hoje em dia, como chanceler da Alemanha, é considerada a mulher mais poderosa do planeta e é ela quem faz as piadas. Quatro anos depois de se tornar a primeira líder mulher da Alemanha e com a certeza de conseguir um novo mandato nas eleições deste domingo, 27, a agora bem penteada Merkel brinca num anúncio de televisão dizendo que, dentre as lições aprendidas no cargo, está "a importância de um bom corte de cabelo pode ter". A líder da União Democrata Cristã (CDU, pelas iniciais em alemão) pode se permitir fazer brincadeira com seu cabelo.

 

A liderança cautelosa mas competente de Merkel tem conquistado alta popularidade desde 2005. E depois de uma campanha sem muito brilho, ela deve vencer seu ministro de Relações Exteriores de centro-esquerda, Frank-Walter Steinmeier, na eleição de domingo. Merkel e Steinmeier, que lidera o Partido Social Democrata (SPD, também pela sigla em alemão), têm governado juntos na "grande coalizão" desde 2005.

 

Em meio à crise financeira, os alemães parecem se confortar com o estilo reservado de Merkel: a chanceler de 55 anos prefere ouvir e fazer considerações antes de tomar qualquer decisão e, em sua propaganda na televisão, identifica a força como "não ser levada por todas as situações difíceis".

"Ela não cometeu nenhum grande erro", avalia Ulla Bock, socióloga da Universidade Livre de Berlim. No governo, Merkel geralmente deixa as discussões entre os participantes de direita e de esquerda de sua "grande coalizão" se encerrarem antes de intervir. Em termos globais, ela não se importou com as críticas iniciais de que seu governo não estava fazendo muito para estimular a economia. Agora, seus dois pacotes de estímulo, no valor de cerca de € 80 bilhões (US$ 118 bilhões), parecem estar funcionando bem.

 

Em 2009, a revista Forbes qualificou Merkel como a mulher mais poderosa do mundo pelo quarto ano consecutivo. Como líder da terceira maior economia do mundo, poucas mulheres poderiam disputar esse título, embora ela tenha tido um início improvável.

 

Nascida Angela Dorothea Kasner, em Hamburgo, no dia 17 de julho de 1954, a mais velha de três filhos, Merkel cresceu na Alemanha Oriental. Ela entrou para a política apenas depois dos 30 anos, quando o sistema comunista ruiu. Como filha de um pastor que lutava por justiça social e reunia intelectuais esquerdistas em casa, ela deve ter adquirido a cautela que a marcou. Merkel não teve uma vida comum no país. Apenas meses depois de seu nascimento, em julho de 1954, seu pai, Horst Kasner, tomou a iniciativa  inusual de se mudar com a família de Hamburgo, no lado ocidental, para uma  pequena cidade alemã-oriental.

 

Os pais a educaram para que se distinguisse em todas as áreas, a fim de compensar as suspeitas em relação a uma família religiosa do oeste. Impedida pelos comunistas de realizar o sonho de estudar línguas, ela se formou em física e se casou em 1977 com Ulrich Merkel, de quem se divorciou mais tarde. Ingressou na Academia de Ciências, onde conheceu Joachim Sauer, com quem se casou em 1993. Merkel não tem filhos.

 

"Eu realmente gostava de trabalhar com física", disse Merkel recentemente. "Mas, depois que o muro caiu, a política tornou-se a minha paixão". Ela trabalhou na Academia de Ciências da Alemanha Oriental até a queda do Muro de Berlim em 1989, quando se envolveu com um novo grupo político, o Despertar Democrático, originário de um grupo pacifista de base protestante nos anos 80 e inspirou a agitação popular e as fugas em massa para a Alemanha Ocidental que precederam a queda do muro.

 

Em 1990, Merkel tornou-se subsecretária de imprensa do primeiro e único governo democraticamente eleito da Alemanha Oriental. Mais tarde, naquele ano, ela foi eleita para o Parlamento alemão reunificado pelo partido do então chanceler Helmut Kohl, a CDU. Kohl, que tornou-se seu padrinho político, a nomeou para seu gabinete como Ministra para Mulheres. Quatro anos mais tarde, ele a fez ministra do Ambiente.

Merkel se tornou secretária-geral do partido, um posto importante na legenda, depois de a CDU ter perdido o poder em 1998. Exibindo uma frieza que a ajudou a calmamente se livrar de potenciais rivais, ela publicamente rompeu com Kohl no ano seguinte, depois de ele ter se envolvido num escândalo financeiro partidário.

 

O fato contribuiu para que ela conquistasse a liderança da CDU em 2000. Merkel retirou-se para permitir a candidatura de um rival do partido à chancelaria em 2002. O partido perdeu nas urnas, mas ela se tornaria chanceler em 2005.

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