Merkel despista pressão para aumentar fundos de ajuda ao euro

Por Erik Kirschbaum

REUTERS

30 de janeiro de 2012 | 13h11

BERLIM, 29 JAN - A chanceler alemã, Angela Merkel, tentou aliviar a crescente pressão internacional sobre a Alemanha para aumentar os fundos de ajuda à zona do euro dizendo, neste domingo, que as negociações continuam.

Em meio a pedidos para aumentar a amplitude do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) antes do encontro da União Europeia, na segunda-feira, Merkel foi perguntada pelo jornal Bild am Sonntag sobre "a crescente pressão" sobre a Alemanha para "aumentar pesadamente" o fundo de ajuda.

Mas a chanceler não deixou claro se a Alemanha vai apoiar o aumento do ESM e respondeu uma pergunta sobre qual impacto o aumento do mecanismo teria no orçamento alemão neste ano.

"As negociações estão em andamento sobre se pagaremos nossa contribuição em uma ou duas parcelas", afirmou Merkel, que resistiu a pedidos para que a Alemanha apoie o aumento dos fundos de ajuda, muito devido à oposição sofrida em sua própria coalizão de centro-direita.

"Mas independentemente de tudo isso, nosso nível de déficit no que diz respeito ao Pacto de Estabilidade Europeia não será aumentado, porque o dinheiro não vai sumir. Ele apenas será transferido do orçamento federal para o ESM."

Merkel está propensa a evitar que o encontro da UE seja desviado para um debate de como a ajuda extra deve ser repassada aos fundos de auxilio à zona do euro, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e alguns países, como Itália e Espanha, sugeriram.

Um aliado de Merkel no Parlamento, Peter Altmaier, disse que faz sentido ver primeiro o quão efetivo o ESM será.

"Seria bom se fizermos bom uso das quantias que agora estão disponíveis", disse Altmaier, um importante parlamentar.

O chanceler da Áustria, Werner Faymann, afirmou, em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel, acreditar que os 500 bilhões de euros do ESM sejam pouco dinheiro, concordando com apelos feitos em Berlim pela chefe do FMI, Christine Lagarde, e pelo premiê italiano, Mario Monti.

"Eu não prometeria ao meu Parlamento que 500 bilhões de euros é o suficiente", disse Faymann, acrescentando que seu governo está se preparando para contribuir para um caixa maior com recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

"Essa é a direção que precisamos seguir. Assim vamos chegar a um total de cerca de 750 bilhões de euros", afirmou". Os mercados financeiros estão nos observando de perto e medindo o quão fortes somos, olhando para o tamanho do fundo. Se for muito baixo, daremos ao mercado uma razão para especular sobre nós."

Fontes do governo alemão disseram à Reuters que Merkel não descarta aumentar os fundos se a crise na zona do euro piorar nos próximos meses. Mas apenas a ameaça de um desastre pode persuadir sua coalizão a apoiar maior injeção de recursos no bloco.

O governo alemão acredita que não devem haver mais discussões sobre o aumento dos recursos até março.

O líder da oposição de centro-esquerda da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que Merkel está cometendo um erro ao resistir à pressão para aumentar o ESM.

"Você pode argumentar se criar constantemente novos fundos é o caminho correto", disse Steinmeier ao jornal Welt am Sonntag. "Mas para aqueles que decidem uma situação como esta de estabelecer um fundo permanente de auxílio, eles devem perceber que este definitivamente não é grande o suficiente."

Steinmeier, ex-ministro das Relações Exteriores de Merkel entre 2005 e 2009 e possível adversário em 2013, afirmou que Merkel não conseguiu angariar confiança pública durante a pior crise pós-Guerra da Europa, repetidamente mudando seus discursos.

"Ela irritou muita gente e os desnorteou sobre a Europa ao continuamente mudar de direção. Como nação mais forte nas exportações na Europa, temos um interesse fundamental em impedir que essas crises se tornem recessões permanentes para toda a Europa. Se a Europa não está indo bem, a Alemanha também não vai bem", disse.

(Reportagem adicional de Andreas Rinke)

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