Merkel e Hollande ignoram atritos sobre o euro e demonstram união

A chanceler alemã, Angela Merkel, recebe na terça-feira o presidente da França, François Hollande, e seu gabinete para celebrar meio século de parceria no pós-guerra, embora seus países tenham fortes divergências a respeito da crise na zona do euro.

NOAH BARKIN, Reuters

22 de janeiro de 2013 | 10h05

Cinquenta anos depois de Konrad Adenauer e Charles de Gaulle assinarem o Tratado do Eliseu, selando a reconciliação entre os dois ex-inimigos, Alemanha e França estão determinadas a apresentar uma convincente demonstração de amizade.

Após uma reunião dos dois gabinetes, haverá uma sessão conjunta dos Parlamentos no prédio do Reichstag. À noite, os líderes dos dois países assistem a um concerto na Filarmônica de Berlim.

Merkel e Hollande, que nasceram com menos de um mês de diferença, em meados de 1954, superaram um começo desconfortável nas suas relações. Ela havia apoiado ostensivamente o rival de Hollande na eleição de 2012, e ele durante a campanha criticou as políticas de austeridade da chanceler.

Após seis meses de cuidadosos apertos de mão, eles agora se cumprimentam com beijos no rosto. Nos últimos meses, Berlim e Paris forjaram complexos acordos acerca da supervisão bancária e de uma reforma na estrutura acionária da EADS, empresa que produz os aviões Airbus.

Mas a parceria franco-alemã é menos ativa na questão que mais preocupa: a crise da dívida na zona do euro, que já dura três anos. E, no momento em que a Europa mais precisava de ação, os dois líderes estão voltando suas atenções para outras coisas -Merkel para sua campanha à reeleição, e Hollande para as dificuldades econômicas francesas e a arriscada intervenção militar no Mali.

"O conflito franco-alemão que tem se formado nos últimos meses é por uma maior integração", disse Daniel Schwarzer, especialista em relações franco-alemãs no Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança.

"Mas, quanto mais perto chegamos da eleição, menos provável é que os alemães pressionem por algo grande. E Hollande ainda não disse quanto está disposto a fazer, quanta soberania ele poderia ceder. O movimento de integração já está perdendo impulso, na minha opinião."

Desde que a crise do euro permaneça sob controle e os mercados continuem calmos, os dois poderão se dar ao luxo de não abordar a questão. Mas outro episódio de crise deve elevar a pressão sobre Merkel, que prega um maior controle orçamentário nos países europeus, e sobre Hollande, defensor de um risco mais partilhado, para que resolvam suas diferenças a respeito do futuro europeu.

Hollande chegou ao cargo em maio de 2012 prometendo combater o foco de Merkel na consolidação orçamentária da Europa, lançar novas iniciativas de crescimento e acabar com a relação "exclusiva" com a Alemanha, que ele acusava seu antecessor, Nicolas Sarkozy, de nutrir.

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