Merkel e Steinmeier protagonizam debate morno na Alemanha

Única discussão entre os dois na televisão mais pareceu um dueto do que um duelo; eleições serão no dia 27

Agência Estado e Efe,

13 de setembro de 2009 | 19h32

A chanceler conservadora alemã, Angela Merkel, e seu principal desafiante nas eleições gerais de 27 de setembro, o social-democrata Frank-Walter Steinmeier, estiveram frente a frente neste domingo em um debate livre de ataques pessoais.

 

No debate, Merkel afirmou que o país necessita de um novo governo centro-direita pra conduzir a maior economia da Europa enquanto ela sai da recessão. Steinmeier, por sua vez, retratou-se como defensor do "equilíbrio social" e disse que a guinada para a direita representaria o aumento do vão entre ricos e pobres na Alemanha.

 

Pesquisas divulgadas por emissoras de televisão sugeriram que nenhum dos dois candidatos obteve uma vitória contundente no duelo deste domingo, que foi apenas o quarto debate eleitoral televisionado da história da Alemanha. Segundo a RTL, Merkel venceu por 37% a 35%; a ARD cravou vitória de Steinmeier por 43% a 42%.

 

O frio debate deste domingo era amplamente visto como a última oportunidade do Partido Social Democrata (SPD, pelas iniciais em alemão) de impedir uma aparentemente inevitável vitória eleitoral da União Democrata Cristã (CDU, também pela sigla em alemão) de Merkel.

 

O social-democrata Steinmeier é vice-chanceler e ministro de Exterior da Alemanha no âmbito da grande coalizão de governo liderada pelos conservadores desde a última eleição, quando as duas agremiações rivais terminaram praticamente empatadas nas urnas, com ligeira vantagem em favor de Merkel.

 

O enfrentamento, de destaque marcadamente econômico, transcorreu em um tom civilizado, com poucos momentos de controvérsia. "Trabalhamos bem e algumas coisas só conseguimos realizar porque governamos em grande coalizão", disse Steinmeier ao abrir o debate. Utilizando um discurso no mesmo tom, Merkel ressaltou o bom trabalho feito sob sua liderança.

 

Os pontos em comum ficaram resumidos na defesa de ambos sobre a venda da Opel à Magna (empresas do setor automotivo) e na decisão de aumentar o déficit como forma de sair da crise. As diferenças só apareceram em dois pontos: sobre a proposta social-democrata de introduzir um salário mínimo, que Merkel rejeita, e quanto ao futuro da energia nuclear, em que a chanceler aposta no prolongamento da vida das centrais, enquanto Steinmeier exige a manutenção do calendário de fechamento. Merkel defendeu, além disso, uma redução tributária com o objetivo de impulsionar o crescimento, enquanto Steinmeier sustentou que esse tipo de proposta mina a credibilidade de um partido.

 

Sobre o tema política externa, o único assunto abordado foi o do Afeganistão, em que os dois concordaram sobre a necessidade de estabelecer o mais rápido possível a retirada das tropas.

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